OPINIÃO E ATITUDE

CONTRATO DE MORTE

Por: Wesley Vieira
A Terra é protegida por escudo danificado
Um poço às avessas foi colocado no céu
Não caímos no poço
Ele cai em nós despejando sua escuridão
Evidenciando a complicação do homem
E sua briga com tudo o que é natural
Furo na camada protetora dos raios violentos
Irresponsabilidade? Sim.
Irreversível? Talvez.
As ações mostram a preocupação
E nós não estamos tão preocupados
Fábricas são os titãs, líderes da destruição
Fumaça é seu grito e dinheiro é a ordem
Pequenos homens fazem lucro
Enquanto muitos trabalham
Injustiça em cima e debaixo dos nossos olhos
O poço é a ignorância
E a ignorância é a prioridade do capital e seus senhores
Num mundo como o nosso limitaríamos o lucro?
A cabeça de metal e concreto é colocada em julgamento
E se torna tão primitiva o que parecia moderna
Somos incapazes de sentir a culpa?
O que parece obra de deus ou diabo
É obra do homem em seu próprio apocalipse
Palavras apenas
Ignoradas pelos alienados reis e súditos
A Terra esquenta
Geleiras fabricam os mares que engolem terras
Desesperos brotam da própria pele
A imagem cega os olhos
Nosso futuro é banal?
Somos homicidas e suicidas
Mataremos a casa e a família
Esse é o caos que insistimos em não sentir
Bomba que nasceu em cada um
Semeada pelos titãs que governam
Carrascos vestidos de homens
Tiro o capuz
Assino o papel e mato o irmão
O dinheiro não compra a vida humana
Mas pode fazer seu contrato de morte.

A nova Era

por Peterson Xavier
A época indefinível, a contagem dos anos já não é feita, o calor é insuportável. Relâmpagos de um sombrio néon, rasgam um vermelho manchado de chumbo onde antes existia aquilo que chamávamos de céu. Um solo acinzentado se estende abaixo dos pés. Rostos brancos de seres indefiníveis, aparecem por vezes nas fendas que existem no terreno, percebe-se que estas criaturas são jovens, em sua maioria são crianças, filhotes. Filhotes brancos de uma raça clara, de peles quase transparentes possibilitando a visão de veias, artérias e em alguns pontos a circulação de um sangue escuro.
Olhos embaçados de um cinza brancacento, miram o horizonte que parece não ter fim. A língua falada foi extinta, a forma de comunicação é a dos grunhidos, dos gestos. Restos de uma civilização indicam que aquele lugar sofrera uma mudança, uma cruel e arrebatadora mudança.
Houve uma guerra! Não entre os povos, não ideológicas, nem quente nem fria, mas uma guerra violenta que perdurou durante tempos, uma guerra suja, ácida, cruel e mesquinha, como qualquer uma, mas essa guerra fez mais vitimas do que as outras, dizimou floras e faunas, continentes inteiros foram engolidos, milhares morreram, e quase tudo foi destruído.
O que restou foi um planeta doente e que arde em febre, 50, 60, 90 graus. Oceanos ácidos onde a vida já não existe, cercam as poucas ilhas secas e cinzas que teimam em permanecer, pouca terra onde um tratado internacional foi ignorado há tempos atrás, onde os seus habitantes mais evoluídos viveram como bactérias e infeccionaram o lugar onde antes havia vida. Criaram um hematoma, um coagulo, um câncer. e nessa nova era o que sobrou foi esse mundo enfermo que já não tem mais nome, onde tudo é sombrio e vazio e terrível.

CONTRATO DE MORTE

Por: Wesley Vieira
A Terra é protegida por escudo danificado
Um poço às avessas foi colocado no céu
Não caímos no poço
Ele cai em nós despejando sua escuridão
Evidenciando a complicação do homem
E sua briga com tudo o que é natural
Furo na camada protetora dos raios violentos
Irresponsabilidade? Sim.
Irreversível? Talvez.
As ações mostram a preocupação
E nós não estamos tão preocupados
Fábricas são os titãs, líderes da destruição
Fumaça é seu grito e dinheiro é a ordem
Pequenos homens fazem lucro
Enquanto muitos trabalham
Injustiça em cima e debaixo dos nossos olhos
O poço é a ignorância
E a ignorância é a prioridade do capital e seus senhores
Num mundo como o nosso limitaríamos o lucro?
A cabeça de metal e concreto é colocada em julgamento
E se torna tão primitiva o que parecia moderna
Somos incapazes de sentir a culpa?
O que parece obra de deus ou diabo
É obra do homem em seu próprio apocalipse
Palavras apenas
Ignoradas pelos alienados reis e súditos
A Terra esquenta
Geleiras fabricam os mares que engolem terras
Desesperos brotam da própria pele
A imagem cega os olhos
Nosso futuro é banal?
Somos homicidas e suicidas
Mataremos a casa e a família
Esse é o caos que insistimos em não sentir
Bomba que nasceu em cada um
Semeada pelos titãs que governam
Carrascos vestidos de homens
Tiro o capuz
Assino o papel e mato o irmão
O dinheiro não compra a vida humana
Mas pode fazer seu contrato de morte.

A nova Era

por Peterson Xavier
A época indefinível, a contagem dos anos já não é feita, o calor é insuportável. Relâmpagos de um sombrio néon, rasgam um vermelho manchado de chumbo onde antes existia aquilo que chamávamos de céu. Um solo acinzentado se estende abaixo dos pés. Rostos brancos de seres indefiníveis, aparecem por vezes nas fendas que existem no terreno, percebe-se que estas criaturas são jovens, em sua maioria são crianças, filhotes. Filhotes brancos de uma raça clara, de peles quase transparentes possibilitando a visão de veias, artérias e em alguns pontos a circulação de um sangue escuro.
Olhos embaçados de um cinza brancacento, miram o horizonte que parece não ter fim. A língua falada foi extinta, a forma de comunicação é a dos grunhidos, dos gestos. Restos de uma civilização indicam que aquele lugar sofrera uma mudança, uma cruel e arrebatadora mudança.
Houve uma guerra! Não entre os povos, não ideológicas, nem quente nem fria, mas uma guerra violenta que perdurou durante tempos, uma guerra suja, ácida, cruel e mesquinha, como qualquer uma, mas essa guerra fez mais vitimas do que as outras, dizimou floras e faunas, continentes inteiros foram engolidos, milhares morreram, e quase tudo foi destruído.
O que restou foi um planeta doente e que arde em febre, 50, 60, 90 graus. Oceanos ácidos onde a vida já não existe, cercam as poucas ilhas secas e cinzas que teimam em permanecer, pouca terra onde um tratado internacional foi ignorado há tempos atrás, onde os seus habitantes mais evoluídos viveram como bactérias e infeccionaram o lugar onde antes havia vida. Criaram um hematoma, um coagulo, um câncer. e nessa nova era o que sobrou foi esse mundo enfermo que já não tem mais nome, onde tudo é sombrio e vazio e terrível.

Materia recebida de Peterson Xavier

É muito complicado abordar esse assunto, pois o problema vai muito mais além de rebeliões, invasões da PM, maus tratos e falta de educação, crimes. Os adolescentes internos não são os fatores e sim apenas o produto. Produto de um longo processo que não começou nesse governo nem no anterior e sim a muito tempo atrás, desde as grandes divisões econômicas da historia, desde quando surgiu a divisão do trabalho, a divisão da sociedade em classes e juntamente com essas, as crises econômicas. A partir dessas divisões a sociedade começou a ser manipulada de forma muito sutil, ao ponto de não perceber tal manipulação, que se manifesta através de sanções socio-econômicas, que se fazem presente diariamente em nossos lares. Como pensa uma criança que não tem nem o que vestir e constantemente os anúncios de roupas, brinquedos, redes de lanchonetes que seduzem a todos, mas que poucos podem ter acesso? Qual a reação de um pai ao ver seu filho morrendo de fome enquanto outros se fartam e desperdiçam os alimentos e bebidas? Milionários, ricos, pobres, indigentestudo tem uma explicação não a encontramos porque que vivemos em um mundo de mentiras, um mundo que é construído por cenários enganosos, que nos obstruiu a visão da verdade. Não culpo a sociedade pela situação atual, mas se chamamos os jovens da FEBEM de monstros, somos no mínimo os doutores Frankesteins, pois ajudamos a criar esses monstros com a nossa ignorância. Podemos não ser os culpados diretos da situação, mas temos nossa parcela de culpa, pois aceitamos muito fácil as verdades como nos são colocadas sem questionar, sem procurar saber se o que realmente é relatado é verdade. Nos maravilhamos de tudo, de todos os cenários que compõem o mundo, festejamos a nossa estupidez sem nem percebermos que estamos sendo enganados. Somos explorados e nem notamos, passamos a nos vender a aqueles que puderem pagar mais pela mercadoria, pelo nosso trabalho que hoje não passa disso, uma simples mercadoria. Não venho em defesa dos adolescentes internos da FEBEM, não estou dando nenhuma solução para o problema, apenas acho que somente será possível uma solução quando todos tivermos consciência, quando percebermos que somos todos vitimas da mesma situação, quando pararmos de aceitar tudo que nos é colocado como a mais simples e pura verdade. Um adulto nem sempre foi adulto, ele foi jovem, criança, bebê, um feto, um pequeno embrião. Da mesma forma, os adolescentes da FEBEM nem sempre foram infratores, tudo se deu por um encadeamento de processos que os levou a instituição, mas isso não significa que serão eternamente infratores, se tivermos a consciência outro encadeamento de processos pode ser iniciado e assim a mudança poderá ser feita. Reforço aqui que não venho como defensor dos adolescentes, digo novamente que somos todos vitimas do mesmo problema e deixaremos de ser, quando fizermos uso de nossa consciência. Peterson Xavier (Peterson, é um jovem ex interno de medida sócio educativa, hoje é diretor do Instituto Religare)

Respeitável público

PETERSON XAVIER

Sorriam Senhoras e senhores. Sejam bem vindos a esse espetáculo, cujo palco é este planeta chamado terra, onde o horrível é belo e o direito a vida a poucos pertence, onde as letras escritas com sangue são consumidas aos montes, pois o amor, carinho,solidariedade e a arte são considerados adereços sem muita importância. Nesse espetáculo a personagem principal não é nem um galã. Não, seus gestos cavalheirescos não surtem tanto efeito de êxtase em uma platéia que se deleita ao ver cenas de horror que ocorrem diariamente com nossas crianças, Suas palavras doces não podem competir com a rajada de insultos, proferidas pelos ferozes leões que destroçam brutalmente os cristãos nos coliseus da televisão. Levantem-se e aplaudam a estupidez humana, prestigiem a hipocrisia e o homem de mãos dadas formando um belo casal, brindemos juntos por todas as crianças sem escola. Elevem agora os vossos espíritos para receber com toda a intensidade e vigor o descaso, sorriam das desgraças alheias, festejemos a nossa vaidade, pois por ela esquecemos o próximo e alimentamos os nossos preconceitos. Não se preocupem caros amigos e espectadores, tive a prudência de não permitir nenhuma cena que possa causar eventual choque em vossas senhorias, portanto nenhuma criancinha correndo em um parque de diversões ou com um urso de pelúcia deverá aparecer em nosso show, mesmo porque cenas de ficção não fazem parte de nosso repertório, portanto fiquem despreocupados e se deleitem com a celebração da fome e do ódio, unamo-nos e mostremos a nossa ignorância.

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