Arquivo do mês: fevereiro 2010

GENERAL RESPONDE À MIRIAN LEITÃO

PRECISA SER LIDO E PENSADO

Resposta do General Torres de Melo à carta da jornalista.

À Senhora Jornalista Miriam Leitão

Li o seu artigo “ENQUANTO ISSO”, com todo cuidado  possível. Senti,
em suas linhas, que a senhora procura mostrar que os MILITARES
BRASILEIROS de HOJE, são bem diferentes dos MILITARES BRASILEIROS de ONTEM. Penso que esse é o ponto central de sua tese. Para criar credibilidade nas suas afirmativas, a senhora escreveu: “houve um
tempo em que a interpretação dos militares brasileiros sobre LEI E
ORDEM era rasgar as leis e ferir a ordem. Hoje em dia, eles
demonstram com convicção terem apren dido o que não podem fazer”.

Permita-me discordar dessa afirmativa de vez que vejo nela uma
injustiça, pois fiz parte dos MILITARES DE ONTEM e nunca vi os meus
camaradas militares rasgarem leis e ferir a ordem. Nem ontem nem
hoje. Vou demonstrar a minha tese.

No Império, as LEIS E A ORDEM foram rasgadas no Pará,  Ceará, Minas,
Rio, São Paulo e Rio Grande do Sul pelas paixões políticas da época.
AS LEIS E A ORDEM foram restabelecidas pelo Grande Pacificador do
Império, um Militar de Ontem, o Duque de Caxias, que com sua ação
manteve a Unidade Nacional. Não rasgamos as leis nem ferimos a
ordem. Pelo contrário. Vem a queda do Império e a República.. Pelo
que sei, e a História registra, foram políticos que acabaram
envolvendo os velhos  Marechais Deodoro e Floriano nas lides
políticas. A política dos governadores criando as oligarquias
regionais, não foi obra dos Militares de Ontem, quando as leis e a
ordem foram rasgadas e feridas  pelos donos do Poder, razão maior
das revoltas dos tenentes da década de 20, que sonhavam com um
Brasil mais democrático e justo. Os  Militares de Ontem ficaram ao
lado da lei e da Ordem. Lembro à nobre jornalista que foram os civis
políticos que fizeram a revolução de 30, apoiados, contudo, pelos
tenentes revolucionários,  menos Prestes, que abraçou o comunismo
russo.

Veio a época getuliana, que, aos poucos, foi afastando os tenentes
das decisões políticas. A revolução Paulista não foi feita pelos
Militares de Ontem e sim pelos políticos paulistas que não aceitavam
a ditadura de Vargas. Não foram os Militares de Ontem que fizeram a
revolução de 35 (senão alguns, levados por civis a se converterem
para a ideologia vermelha, mas logo combatidos e derrotados pelos
verdadeiro s Militares de Ontem); nem fizeram a revolta de 38; nem
deram o golpe de 37. Penso que a senhora, dentro de seu espírito de
justiça, há de concordar comigo que foram as velhas  raposas GETÚLIO
– CHICO CAMPOS – OSWALDO ARANHA e os chefetes que estavam nos
governos dos Estados, que aceitaram o golpe de 37. Não coloque a
culpa nos Militares de Ontem.

Veio a segunda guerra mundial. O Nazismo e o Fascismo tentam
dominaro mundo. Assistimos ao primeiro choque da hipocrisia da
esquerda. A senhora deve ter lido – pois àquela época não seria
nascida -, sobre o acordo da Alemanha e a URSS para dividirem a
pobre Polônia e os sindicatos comunistas do mundo ocidental fazendo
greves contra os seus próprios países a favor da Alemanha por
imposição da URSS e a mudança de posição quando a “Santa URSS” foi
invadida por Hitler. O Brasil ficou em cima de muro até que nossos
navios (35) foram afundados. Era a guerra, a FEB e seu término.

Getúlio – o ditador – caiu e vieram as eleições. As Forças Armadas
foram chamadas a intervir para evitar o pior. Foram os políticos que
pressionaram os Militares de Ontem para manter a ordem.

Não rasgamos as leis nem ferimos a ordem. Chamou-se o Presidente do
Supremo Tribunal Federal para, como Presidente, governar a
transição. Não se impôs MILITAR algum.

O mundo dividiu-se em dois. O lado democrático, chamado pelos
comunistas de imperialistas, e o lado comunista com as suas
ditaduras cruéis e seus celebres julgamentos “democráticos” .

Prefiro o primeiro e tenho certeza de que a senhora, também. No lado
ocidental não se tinham os GULAGs. O período Dutra (ESCOLHIDO PELOS
CIVIS E ELEITO PELO VOTO DIRETODO POVO) teve seus erros – NUNCA
CONTRA A LEI E A ORDEM – e virtudes como toda obra humana. A
colocação do Partido Comunista na ilegalidade foi uma obra do
Congresso Nacional por inabilidade do próprio Carlos Prestes, que
declarou ficar ao lado da URSS e não do Brasil em caso de guerra
entre os dois países. Dutra vivia com o “livrinho” (a Constituição)
na mão, pois os políticos, nas suas ambições, queriam intervenções
em alguns Estados , inclusive em São Paulo. A senhora deve ter lido
isso, pois há vasta literatura sobre a História daqueles idos.

Novo período de Getúlio Vargas. Ele já não tinha mais o vigor dos
anos trinta. Quem leu CHATÔ, SAMUEL WEINER (a senhora leu?) sente
que os falsos amigos de Getúlio o levaram à desgraça. Os  Militares
de Ontem não se envolveram no caso, senão para investigar os crimes
que vinham sendo cometidos sem apuração pela Polícia; nem rasgaram
leis nem feriram a ordem.

Eram os políticos que se digladiavam e procuravam nos colocar como
fiéis da balança. O seu suicídio foi uma tragédia nacional, mas não
foram os Militares de Ontem os responsáveis pela grande desgraça.

A senhora permita-me ir resumindo para não ficar longo.

Veio Juscelino e as Forças Armadas garantiram a posse, mesmo com
pequenas divergências. Eram os políticos que queriam rasgar as leis
e ferir a ordem e não os Militares de Ontem. Nessa época, há o
segundo grande choque da esquerda. No XX Congresso do Partido
Comunista da URSS (1956) Kruchov coloca a nu a desgraça do
stalinismo na URSS. Os intelectuais esquerdistas ficam sem rumo.

Juscelino chega ao fim e seu candidato perde para o senhor Jânio
Quadros. Esperança da vassoura. Desastre total. Não foram os
Militares de Ontem que rasgaram a lei e feriram a ordem. Quem
declarou vago o cargo de Presidente foi o Congresso Nacional.  A
Nação ficou ao Deus dará. Ameaça de guerra civil e os políticos
tocando fogo no País e as Forças Armadas divididas pelas paixões
políticas, disseminadas pelas “vivandeiras dos quartéis” como muito
bem alcunhou Castello.

Parlamentarismo, volta ao presidencialismo, aumento das paixões
políticas, Prestes indo até Moscou afirmando que já estavam no
governo, faltando-lhes apenas o Poder. Os militares calados e o
chefe do Estado Maior do Exército (Castello) recomendando que a
cadeia de comando deveria ser mantida de qualquer maneira. A
indisciplina chegando e incentivada dentro dos Quartéis, não pelos
Militares de Ontem e sim pelos políticos de esquerda; e as
vivandeiras tentando colocar o Exército na luta política.

Revoltas de Polícias Militares, revolta de sargentos em Brasília,
indisciplina na Marinha, comícios da Central e do Automóvel Clube
representavam a desordem e o caos contra a LEI e a ORDEM. Lacerda,
Ademar de Barros, Magalhães Pinto e outros governadores e políticos
(todos civis)incentivavam o povo à revolta. As marchas com Deus,
pela Família e pela Liberdade (promovidas por mulheres)
representavam a angústia do País. Todo esse clima não foi produzido
pelos MILITARES DE ONTEM. Eles, contudo, sempre à escuta dos apelos
do povo, pois ELES são o povo em armas, para garantir as Leis e a
Ordem. Minas desce. Liderança primeira de civil; era Magalhães
Pinto. Era a contra-revoluçã o que se impunha para evitar que o
Brasil soçobrasse ao comunismo. O governador Miguel Arraes declarava
em Recife, nas vésperas de 31 de março: haverá golpe. Não sabemos se
deles ou nosso.

Não vamos ser hipócritas. A senhora, inteligente como é, deve ter
lido muitos livros que reportam a luta política daquela época
(exemplos: A Revolução Impossível de Luis Mir – Combates nas Trevas
de Jacob Gorender – Camaradas de William Waack – etc) sabe que a
esquerda desejava implantar uma ditadura de esquerda. Quem afirma é
Jacob Gorender. Diz ele no seu livro: “a luta armada começou a ser
tentada pela esquerda em 1965 e desfechada em definitiva a partir de
1968”.. Na há, em nenhuma parte do mundo, luta armada em que se vão
plantar rosas e é por essa razão que GORENDER afirma: “se quiser
compreendê-la na perspectiva da sua história, A ESQUERDA deve
assumir a violência que praticou”. Violência gera violência.
Castello, Costa e Silva, Médici, Geisel e João Figueiredo com seus
erros e virtudes desenvolveram o País. Não vamos perder tempo com
isso. A senhora é uma economista e sabe bem disso. Veio a ANISTIA.

João Figueiredo dando murro na mesa e clamando que era para todos; e
Ulisses não desejando que Brizolla, Arraes e outros pudessem tomar
parte no novo processo eleitoral, para não lhe disputarem as chances
de Poder. João bateu o pé e todos tiveram direito, pois “lugar de
Brasileiro é no Brasil”, como dizia. Não esquecer o terceiro choque
sofrido pela a esquerda: Queda do Muro de Berlim, que até hoje a
nossa esquerda não sabe desse fato histórico.

Diretas já. Sarney, Collor com seu desastre, Itamar, FHC, LULA e
chega aos aos dias atuais. Os Militares de Hoje, silentes, que não
são os responsáveis pelas desgraças que vivemos agora, mas sempre
aguardando a voz do Povo. Não houve no passado, nem há, nos dias de
hoje, nenhum militar metido em roubo, compra de voto, CPI, dólar em
cueca, mensalões ou mensalinhos. Não há nenhum Delúbio, Zé Dirceu,
José Genoíno, e que tais. O que já se ouve, o que se escuta é o povo
dizendo: SÓ OS MILITARES PODERÃO SALVAR A NAÇÃO. Pois àquela época
da “ditadura” era que se era feliz e não se sabia…Mas os Militares
de Hoje, como os de Ontem, não querem ditadura, pois são formados
democratas. E irão garantir a Lei e a Ordem, sempre que preciso.

Os militares não irão às ruas sem o povo ao seu lado. OS MILITARES
DE HOJE SÃO OS MESMOS QUE OS MILITARES DE ONTEM. A nossa
>  desgraça é que políticos de hoje (olhe os PICARETAS do Lula!) –
as  exceções justificando a regra – são ainda piores do que os de
ontem. São sem ética e sem moral, mas também despudorados. E o
Brasil sofrendo, não por conta dos MILITARES, mas de ALGUNS
POLÍTICOS – uma
corja de canalhas, que rasgam as leis e criam as desordens.

Como sei que a senhora é uma democrata, espero que publique esta
carta no local onde a senhora escreve os seus artigos, que os leio
atenta e religiosamente, como se fossem uma Bíblia. Perfeitos no
campo econômico, mas não muitos católicos ou evangélicos no campo
político por uma razão muito simples: quando parece que a senhora
tem o vírus de uma reacionária de esquerda.

Atenciosa e respeitosamente,

GENERAL DE DIVISÃO REFORMADO DO EXÉRCITO
FRANCISCO BATISTA TORRES DE MELO.

(Um militar de ontem, que respeita os militares de hoje, que pugnam  pela Lei e a Ordem).