PÓS MODERNIDADE (texto 2 aula de ontem)

Não deixem de ler o texto A NECESSIDADE DA ARTE DE ERNST FISCHER o primeiro texto que lemos ontem.


A modernidade teve o seu fim. Vive-se na pós modernidade: nome dado a esse complexo período situado no final desse século. Um período difícil de ser caracterizado devido a sua complexidade e por se manifestar no rastro da modernidade. A modernidade morreu, e nem mesmo foram concluídos os serviços funerários, já reina a pós modernidade.

A pós modernidade atesta a falência dos valores modernos: a crença na superioridade da razão sobre a emoção, da superioridade da máquina sobre o homem, o sentido de propriedade, o desejo de liberdade manifestado pela revolução democrática… tudo isso demonstrou sua fragilidade e sua farsa. O mundo não se tornou tão bom e feliz como se acreditava. As duas grandes guerras e a Shoá confirmaram definitivamente o fracasso dos ideais modernos. A qualidade de vida não correspondeu ao nível de evolução científica e tecnológica; os modelos políticos não trouxeram a prosperidade, a liberdade, a igualdade e a fraternidade apregoadas; os ideais de raça, de superioridade cultural e religiosa manifestaram-se com mais força do que nunca. O mundo dividiu-se entre ricos e miseráveis, acentuando a dependência e submissão. Todo o progresso científico e tecnológico não foi capaz de suprimir a miséria e as doenças. O mundo foi dividido em níveis: primeiro mundo… terceiro mundo…

No campo da ética, venceu o individualismo. Valorizou-se mais o que se pode ganhar do que se pode fazer para melhorar a vida de todos. Tal individualismo produziu uma solidão pavorosa no homem, levando-a a consumir cada vez mais, como uma forma de compensação das necessidades afetivas.

A religião, que, por muito tempo explicou aquilo que pertencia ao âmbito da natureza, na modernidade perdeu sua capacidade diante do conhecimento científico. Depois que o homem inventou o pára-raios, as palmas bentas, que os católicos queimavam (alguns ainda queimam) para espantar trovoadas, perderam o seu poder. Se as religiões apresentaram aos seus fiéis o modelo ético ideal, os homens não se sentiram muito convencidos disso: foi no mundo ocidental – cristão que aconteceram as duas grandes guerras, as perseguições, a intolerância religiosa e racial, a Shoá.


Ocorreu, neste século, fenômeno da secularização que repercutiu profundamente no campo religioso. Secularização consiste em reconhecer “a justa autonomia das realidades terrenas”, que têm suas leis próprias, seu valor próprio, independentemente da religião ( Concílio Vaticano II, GS 36). Assim, a religião retrocedeu como “instituição de poder”, embora não tenha sido eliminada como vivência pessoal. Surgiram as mais diversas expressões religiosas que, como num mercado, ofereceram conforto, consolo e promessas “mágicas” de melhores dias aos seus devotos: religiões sem deus (ou com deuses para todos os gostos e necessidades), sem ética, sem compromisso social, oportunistas. Eram religiões ou “filosofias” para todos os gostos, combinando com os valores individualistas da modernidade. Enfim, a vida religiosa, comprometida pelo individualismo, passou para o âmbito privado das interpretações e práticas pessoais.

A pós modernidade vem exatamente fazer a crítica da modernidade. Ela apresenta-se como a constatação do seu evidente fracasso. Contesta seus valores, e surge, no final do século, como um ajuste de contas com aquilo que significou o moderno. Talvez, embutido nesse movimento tão complexo, esteja a proposta para uma nova ética mundial. Todavia, muitas das suas características são preocupantes e não nos parecem tão positivas.

Os primeiros indícios deste novo tempo surgiram na França em 68, quando houve uma mudança na escala de valores. Foi também em 73 que o mundo experimentou as incertezas do progresso: a crise do petróleo. Assim, a tecnologia voltou seus esforços para superar os seus adversários. As comunicações passaram a desempenhar um papel importante de integração dos povos e das culturas, ao mesmo tempo, encarregou-se de comercializar tudo ( música, esportes…).

Com a pós modernidade a esperança no progresso entrou em crise. A política perdeu a ideologia, e mais do que nunca passou a ser “a arte do possível”. A crença de que com o conhecimento das lei da natureza tudo poderia ser realizado terminou na beira do precipício: a natureza foi destruída, tomou-se consciência dos perigos do seu aproveitamento desmedido. Pobres e ricos estão expostos aos mesmos males da contaminação atômica ou pela destruição da camada de ozônio.

O homem de hoje abandonou o pensamento racional. Quem manda é o sentimento. Ao mesmo tempo, ao se renegar a razão, o pensamento perde o seu fundamento. Terminam as certezas. Alcança-se a verdade sim, mas somente num contexto muito parcial e localizado. A razão só serve como instrumento da tecnocracia, para produção e consumo. Em outras palavras, o que é valorizado é a experiência. Ela venceu, neste final de século, os discursos da racionalidade.

O pensamento pós moderno pôs de lado os grandes relatos históricos. Todas as explicações que pretendem dar uma visão integrada e coerente dos diferentes aspectos da realidade são rejeitadas: nada de respostas últimas portadoras de sentido, nada de grandes projetos, nada de ideologias, pois todas fracassaram. O que vale são as “pequena histórias”. Não existe mais a “grande história” que oferecia um horizonte onde era possível situar os grandes acontecimentos que ofereciam coerência e que, bem ou mal, permitiam a antevisão do futuro. Entramos num novo modo de sentir e experimentar a vida, sem memória, sem continuidade histórica, sem futuro. A predileção pós moderna é pelo efêmero, pelo fragmentário, pelo descontínuo e caótico.

Também o homem deixou de ser protagonista dos acontecimentos históricos. Estes tornaram-se, na visão pós moderna, independentes do ser humano. Assim, o sujeito torna-se fragmentado e descentrado no seu ser íntimo, incapaz de unificar suas experiências e projetar-se no tempo.

Já não existem critérios morais válidos, com valor em si mesmos, de âmbito universal. Nada de valores absolutos. É ainda possível sim, haver acordo sobre algumas coisa, mas estes não passam de fracos consensos sociais, sem compromisso definitivo nem universais: existem sim, compromissos transitórios e locais.

A ética foi substituída pela estética: vale o belo. As opções passaram a ser privadas, orientadas pela vontade, sem coação, sem coerência. “Se ontem era a meditação transcendental e a ioga, hoje é o álcool e a droga, amanhã a aeróbica e a reencarnação…”. Tudo é valido, tudo é experiência… viver é experimentar sensações…quanto mais fortes, melhor. Nada de sentimentos de culpa, nada de bem e nada de mal, nada de valores… assim é na pós modernidade.

O modelo de vida pós moderno é aquele apresentado pelas novelas, pelos comerciais de tevê ( do Free, é um belo exemplo): busca-se um ” estilo e vida”, busca-se pequenos instantes de prazer, vive-se no vazio.

A pós modernidade pôs em crise a pertença às realidades que transcendem a própria esfera pessoal. Deu origem ao jovem light, superficial, imediatista, cheio de coisas, mas vazio de ideais, incapaz e assumir compromissos, que não atinge a realidade, saturado de perguntas, de informações justapostas…mas incapaz de chegar à unidade.

No âmbito religioso, proliferam os movimentos ligados ao esoterismo, às ” filosofias”, que nada exigem do homem. Por outro lado, as grandes religiões perdem adeptos. Ela, por oferecerem sentido único e totalizante, se situam no horizonte dos “grandes relatos” negados pelo pensamento pós moderno. Combina mais para o atual momento as religiões descompromissadas, sem ética, que apresentam um deus manipulável que se confunde com “forças e energias cósmicas” – que vibram e giram no vazio da pós modernidade.

Curiosamente, ao lado dos movimentos esotéricos, ocorre a busca aos movimentos mais ortodoxos e fechados das religiões tradicionais. O que, ao contrário de significar o desejo de uma vida religiosa mais integra e integrada à realidade, expressa individualismo e, de certa forma, um “sectarismo”, um apartar-se da unidade.

Bem, aqui estão alguma características dessa complexa pós modernidade. Para uns ela apenas é uma moda a mais. Para outros é a imposição de uma nova cultura sobre o projeto fracassado da modernidade; para outros, ela é o caminho para a concretização de um período inacabado, isto é, a pós modernidade é a própria modernidade em rumo ao seu destino. Seja o que for, a pós modernidade, é a crítica da modernidade.

Trecho da Matéria de ANTONIO CARLOS COELHO

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2 respostas para “PÓS MODERNIDADE (texto 2 aula de ontem)

  • Artêmio Macedo Costa

    Muito interessante este documento. Gostaria de saber sua fonte…na íntegra… obrigado

  • J.Nunez

    MODERNISMO OU PÓS–MODERNISMO
    O modernismo morreu,Porém se continuarmos olhando para o avança
    Tecnológico e cientifico como se ele fosse o modernismo e si mesmo,
    Certamente continuaremos em um mesmo tempo histórico de ilusões de avanços;
    Ilusões de que o homem é muito melhor…
    O Pós-Modernismo é muito mais comportamental
    Que a situação exterior ao homem,
    Apesar de homem pós-moderno ser confundido com seu tempo e espaço…
    Somos a sociedade do prazer do entretenimento,
    Do sexo fácil e virtual, da mulher imitação do homem
    E do homem imitação da mulher superficial e submissa…
    Somos a sociedade dos consumos absurdos
    E dos prazeres acima de todas as ideologias,
    Crenças, fé, valores, virtudes…
    Estamos no mundo para ser felizes e sexuais…extremamente sexuais….
    Somos a ilusão da ilusão, a ilusão dentro da ilusão,
    Estamos engolidos pela imagem virtual e ilusória que criamos de nos mesmos,
    Somos embriagados que se embriaga como se não estivesse embriagado.
    Somos a sociedade com indivíduos com milhares de amigos virtuais e imaginários.
    Meu carro furou o pneu a cinqüenta quilômetros da cidade mais próxima
    Tenho 2255 dois mil e duzentos e vinte e cinco amigos virtuais,
    Porém tive que pedir socorro ao meu velho e bom amigo da escola primária,
    Que amigo virtual vai ter essa consideração…

    Salomão Alcantra
    J.Nunez

    http://literaturaimparcialista.blogspot.com/2011/07/modernismo-ou-posmodernismo.html

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