Arquivo do mês: setembro 2007

apresentação na CASA DE CULTURA SALVADOR LIGABUE


Cresce o clamor pela anistia ampla, geral e irrestrita (1978)

Em novembro de 1978, realiza-se em São Paulo o I Congresso Nacional da Anistia, reunido personalidades, entidades e grupos que, desde 1976, lutavam no Brasil e no exterior para conquistar a anistia para os presos e perseguidos políticos e acabar com o regime de terror e tortura contra os que se opunham à ditadura militar. O “Programa Mínimo de Ação”, elaborado pelo Comitê Brasileiro pela Anistia, serviu de base para as discussões do encontro. A própria realização do congresso já era um sintoma de que os tempos estavam mudando no Brasil, sob o impulso das vitórias eleitorais do PMDB, do surgimento de um novo movimento operário, da reorganização do movimento estudantil e do aumento da efervescência entre os intelectuais.

Menos de um ano depois, em agosto de 1979, o presidente João Figueiredo assinaria a Lei da Anistia. De início limitada – excluía do benefício os acusados dos chamados “crimes de sangue”, a anistia logo seria alargada por pressão da sociedade. As portas das prisões se abriram para os presos políticos e os exilados puderam retonar ao país. Começava, então, a fase final da luta contra a ditadura, que só seria definitivamente superada com a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985.


Programa Mínimo de Ação
1 – Fim Radical e Absoluto das Torturas. Denunciar as torturas e contra elas protestar, por todos os meios possíveis. Denunciar à execração pública os torturadores e lutar pela sua responsabilização criminal. Investigar e denunciar publicamente a existência de organismos, repartições, aparelhos e instrumentos de tortura e lutar pela sua erradicação total e absoluta.

2 – Libertação dos Presos Políticos e Volta dos Cassados, Aposentados, Banidos, Exilados e Perseguidos Políticos. Levantar a identidade, a localização e a situação de todos os presos, cassados, banidos, aposentados, exilados e perseguidos políticos. Lutar pela sua libertação, pela sua volta ao País e pela retomada de sua existência civil, profissional e política.

3 – Elucidação da Situação dos Desaparecidos. Apoiar a luta dos familiares e demais setores interessados na elucidação do paradeiro dos cidadãos que se encontram desaparecidos por motivação política.

4 – Reconquista do Habeas Corpus. Lutar pela reintrodução do habeas corpus para todos os presos políticos; denunciar todas as tentativas de anulação ou obstrução desse direito e contra elas protestar por todos os meios.

5 – Fim do Tratamento Arbitrário e Desumano contra os Presos Políticos. Investigar as condições a que estão submetidos todos os presos políticos. Denunciar as arbitrariedades que contra eles se cometem e manifestar, por todos os meios, o seu protesto e o seu repúdio. Exigir a liberalização da legislação carcerária. Lutar contra a incomunicabilidade dos presos políticos.

6 – Revogação da Lei de Segurança Nacional e Fim da Repressão e das Normas Punitivas contra a Atividade Política. Lutar, por meios jurídicos e políticos, contra todas as normas coercivas e punitivas, excepcionais ou não, que impeçam o livre exercício do direito de palavra, reunião, associação, manifestação e atuação política partidária. Denunciar contra elas e manifestar seu protesto e seu repúdio à todas as formas de repressão, legais ou não, que visem a intimidar, ameaçar, coibir, ou punir os que pretendem exercer aqueles direitos. Lutar pela revogação da Lei de Segurança Nacional.

7 – Apoio às Lutas pelas Liberdades Democráticas. Apoiar os pronunciamentos, as manifestações, as campanhas e as lutas de outros setores sociais, organismos e entidades, que colimem os mesmos fins expostos nesta Carta de Princípios e neste Programa Mínimo de Ação. Apoiar as lutas dos familiares dos presos, cassados, aposentados, banidos, exilados e perseguidos políticos pela sua imediata libertação ou volta, pela recuperação da memória de suas existências, pelo repúdio às torturas e ao tratamento carcerário arbitrário e desumano de que foram, são ou venham a ser vítimas. Apoiar as lutas dos sindicatos operários, dos sindicatos e das associações profissionais de assalariados e de trabalhadores em geral contra a exploração econômica e a dominação política a que estão submetidos, pela liberdade e pela autonomia sindicais, pelo direito à livre organização nos locais de trabalho, pelo direito de reunião, associação, manifestação e greve. Apoiar as lutas contra todas as formas de censura e cerceamento à Imprensa, ao Teatro, ao Cinema, à Música, às expressões artísticas, à produção e à divulgação da Cultura e da Ciência, em defesa da ampla liberdade de informar-se e de ser informado, de manifestar o pensamento, as opiniões e as reivindicações, de adquirir e utilizar o conhecimento. Apoiar as lutas dos estudantes por melhores condições de ensino, pelo direito de se manifestarem e pela liberdade de criarem e conduzirem as suas entidades representativas. Apoiar as lutas de todo o povo por melhores condições de vida e de trabalho, por melhores salários, contra o aumento do custo de vida, por melhores condições de alimentação, habitação, transporte, educação e saúde. Apoiar a atuação dos partidos e dos parlamentares que endossem essas mesmas lutas. E denunciar e repudiar todas as tentativas de impedir, distorcer, obstruir, descaracterizar e sufocar as lutas do CBA/SP (Comitê Brasileiro pela Anistia) e dos demais setores, organismos e entidades que se identifiquem com os princípios e objetivos aqui proclamados.

NÃO DEIXE DE ACESSAR O SÍTIO DO FRANKLIN MARTINS


MUNIZ SODRÉ

Leituras no Império

Análise

Entrevista com Muniz Sodré

Muniz Sodré, professor doutor titular da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos principais teóricos de Comunicação da América Latina, comenta o conceito Império de Hardt e Negri.

PET-ECO: COMO O CONCEITO DE IMPÉRIO SE RELACIONA À TEORIA DA COMUNICAÇÃO?

Muniz Sodré: O que estudiosos como Negri e Hardt estão chamando de “Impérionão é uma idéia original deles. O livro Claros e Escuros (Sodré, 1999) cita alguns autores que levantaram essa questão. Peter Sloterdijk em Caso a Europa Desperte (sem edição brasileira) tem uma tese de que, na verdade, a história da Europa é uma reencenação do sacro Império romano germânico e que a idéia do “Impériosempre esteve em alguns países importantes da Europa, como Alemanha, Espanha, França, Portugal e o próprio Estados Unidos, que é sub-continente europeu do ponto de vista civilizatório.

A realidadeImpério” e essa palavra imperialismo sempre estiveram nos movimentos de esquerda, no movimento revolucionário, nos anos 60 e 70. Sempre se apontou para o domínio americano como uma forma de Império, mas a palavra imperialismo antes era apenas “uma metáfora de poder“. Hoje, com a perda da bipolaridade de poder e o desmoronamento da União Soviética, os EUA são, efetivamente, digamos, donos do mundo em termos militares, econômicos e comerciais. Mas eles têm também uma hegemoniadominação de consenso, usando o termo de Gramsci – em termos de ideologia, por disseminação dos bens de consumo, de cultura, por telecomunicações e por mídia. Mas como é que a idéia de “Império” se liga à mídia?

Primeiramente, por meio do consumo, que é uma forma de administração da sociedade urbana. Segundo, pelo controle da informação mundial. Ora, quando você tem um programa como o “ECHELOL”, que é capaz de interceptar pela Internet 3 bilhões de mensagens por dia, significa acabar com a sonhada liberdade na Internet. Nãoliberdade, nãoprivacidade real. A maior parte dos produtos eletrônicos que se consome é fabricada nos EUA e aperfeiçoada pelos japoneses, mas vem dos EUA. Portanto, o “Império” se liga à mídia porque a mídia é a ponta do iceberg, é comercial, industrial e econômica. É o império da comunicação transformado em informação e em dados. Essa avalanche de sentido, essa avalanche semiótica, constitui a face midiática do Império americano.

PET-ECO: A PARTIR DOS AUTORES CITADOS NO LIVROCLAROS E ESCUROS“, COMO VOCÊ TRABALHA ESSE CONCEITO DO IMPÉRIO?

Muniz Sodré: Eu trabalhei isso brevemente no livro. Na verdade, eu quis mostrar como é que uma forma pode persistir na História. Eu estava preocupado com o patrimonialismo brasileiro. O Estado brasileiro é transplante do estado patrimonial português, que é o estado da Segunda Dinastia de Avis, a dinastia responsável pelo descobrimento. Continuamos no estado patrimonialista, isto é, um Estado que é regido como se fosse a “casa da mãe Joana”, com as mesmas elites que descendem dos capitães donatários, os antigos donos do poder. Usei a categoria de Raymundo Faoro (Os donos do poder, 1975). Como é que isso persiste? Em 500 anos, nós podemos dizer que o Estado continua patrimonialista.

Eu procurei mostrar como as classes dominantes reinterpretam as formas passadas, administrando a nova realidade econômica, tecnológica. É uma forma que persiste na História. No caso, é o patrimonialismo, que é reger a coisa pública como se fosse negócio de família. Ainda tento mostrar que o patrimonialismo cultural é uma forma de cooptação. E o que interessa é que a forma continue. Para explicar a persistência dessa forma, trouxe como exemplo o fato de a Europa estar sempre reinterpretando a formaImpériopara se adequar ao poder deles: o poder colonial, depois o poder econômico, depois passa para os EUA.

PET-ECO: ENTÃO ESSE PATRIMONIALISMO SERIA UMA FORMA DE O IMPÉRIO ESTAR PRESENTE NO CONTEXTO HISTÓRICO BRASILIEIRO…

Muniz Sodré: Não, esse patrimonialismo não tem a ver com o “Império“. O imperialismo existe hoje como uma reinterpretação da antiga formaImpério“. E o patrimonialismo que existe hoje é uma reinterpretação das classes dirigentes da forma patrimonial. Eu fiz uma analogia entre um e outro, mas não vinculei.

PET-ECO: MAS ENTÃO COMO O IMPÉRIO ESTARIA PRESENTE NO CONTEXTO HISTÓRICO BRASILEIRO?

Muniz Sodré: Neste caso, é dominação militar e econômica pura e simplesmente. , o patrimonialismo tem quedobrar a espinha” ideologicamente. A dominação econômica e militar se faz num primeiro momento. Por exemplo, entra na sua casa o Mike Tyson e diz: “Olha, eu vou te bater“, e você com esse físico, diz, “Bom, pode bater“. Você não vai ganhar daquele cara, então, você se submete. Ele entra na sua casa, come sua comida, mas tem uma hora que ele vai ter que dormir, e dormindo, não tem Mike Tyson. Com isso, você o liquida fácil. Nenhum poder se sustenta o tempo inteiro pela força. Mas suponha que o Mike Tyson convença você de que essa é a coisa justa a fazer, afinal ele é campeão do mundo e vai te ensinar boxeEntão você começa: “Mas que cara simpático! Me ensinou a bater em gente e, além do mais, ele merece. Eu sou amigo do campeão do mundo!”. Daqui a pouco, você está servindo-o de bom grado, ele pode dormir em paz. Você continua trabalhando por ele. Ele passou do poder pura e simplesmente, para um outro tipo de poder que é a hegemonia, a dominação do consenso, a servidão voluntária. Você quer servir o Mike Tyson, você quer ser dominado por ele e isso é ideológico. E a maior parte do poder é ideológico. São os efeitos do poder.

Convenceram historicamente as mulheres que elas são fisicamente frágeis. Mentira, porque a mulher não é fisicamente mais frágil que o homem. Exatamente por isso ela não desenvolve músculos no interior da coxa e nos braços. Então, ela perde na queda de braço para qualquer garoto, mas não perde na porrada porque não tem medo de se ferir. Quem ganha na briga é quem é mal, ganha quem é mal. Porque assim sai do mito, sai da ideologia, da fragilidade física. O que eu quero dizer com isso? É que o poder é da ordem do convencimento, da ordem da ideologia. Há um momento em que o poder é força, e o seu último recurso é a força, mas a força não pode ser exercida o tempo inteiro. Então, o império americano são os efeitos do “Império” e esses efeitos são impostos pela mídia: são o consumo. O “Impériohoje é imaterial. Não tem mais o soldado romano, americano, aqui dentro, com as armas. O poder é imaterial, o “Império” é imaterial.

PET-ECO: TEM FALTADO UMA CERTA MALDADE AOS MOVIMENTOS DE CONTRA-CULTURA, OS QUAIS HARDT E NEGRI CHAMAM DE A FORÇA DA MULTIDÃO, PARA SOBREPOR O IMPÉRIO?

Muniz Sodré: Os movimentos de contra-cultura têm uma dinâmica de grande fermentação e depois são facilmente recuperados, seja pela indústria, seja até pelo crime. Veja, por exemplo, a questão da droga: a maconha nos anos 60 e 70 era romântica, os hippies fumavam maconha. que hoje, a droga virou uma relação de domínio, domínio de grupos alternativos e marginais, e uma nova forma de poder. Então, a inocência da maconha acabou, porque ela tem uma conexão forte com a cocaína, que, por sua vez tem com os grupos de dominação criminal da cidade. Pode parecer dramático, mas é real. São forças contra, forças paralelas que parecem o Estado. São impiedosos, cruéis e não servem de modo nenhum ao conjunto da vida social. Eu, por exemplo, acho maconha uma bosta, mas faz menos mal do que nicotina. Não sei o motivo, porque não fumei nicotina, nem fumei maconhanão tolero fumaça. Sou absolutamente contra. Nos anos 60 e 70, não era contra, hoje eu acho problemático. Então, o que num determinado momento pode ser criativo, noutro é extremamente reacionário, foi absorvido. Da mesma forma, todo movimento contra-cultural dos anos 70 foi absorvido pela mídia, a música popular foi absorvida. A contra-cultura não tem força real de oposição a não ser em seu estado nascente. É preciso ser alguma coisa a mais do que cultura, é preciso ser política, é preciso ser econômica.

Veja , eu acho os movimentos reativos contra-culturais fortes e interessantes, pois utilizam a Internet, a modernização da mídia, por não terem imediatamente nenhum objetivo, digamos assim, de derrubar uma instituição, revolucionar e tomar de assalto. Eles são a gota d’água na construção com atitude que, por exemplo, converge para o Fórum Social Mundial (Porto Alegre, 2002). Toda aquela discussão serve pra quê? Qual foi a medida que se tomou depois? Nenhuma! No entanto, é extremamente importante, porque tudo aquilo converge para uma tomada de atitude. Mostra-se coletivamente que outro caminho é possível, outro tipo de vida é possível. Logo, num mundo sem utopias, sem saídas, sem pontos de fugas, mostrar que outra atitude é possível é importante, e é por isso que a gente ainda fala, que as pessoas falam.

PET-ECO: QUAL SERIA ENTAO ESSA ATITUDE, ESSE CAMINHO?

Muniz Sodré: Primeiramente, a atitude de que você não pode viver sob a égide exclusiva do mercado. Portanto, existe um novo vetor de poder e dominação que é o mercado. Mídia mais mercado, não é mídia isolado, é mercado! Mídia enquanto fala do mercado. O mercado, que é definido por moeda, por valor de troca, não responde pela perfeita integração do sujeito na polis, na cidade-estado. Ao mesmo tempo, você não pode abrir mão do mercado, porque nele há um vetor de poder, de dominação grande. Então, que atitude é essa? É a atitude de recusar o absoluto do mercado. Não é recusar o mercado. É recusar o que no mercado se apresenta como absoluto.

PET-ECO: SERIA, PORTANTO, UMA ATITUDE NEGATIVA. E QUAL A PROPOSTA, A ALTERNATIVA CONSTRUTIVA?

Muniz Sodré: A alternativa é redefinir o mercado. Sempre houve mercado. Mercado é apenas uma das formas possíveis de troca econômica. Existem formas de reciprocidade, de cooperativismo que não necessariamente colocam valor de troca no topo da hierarquia das trocas possíveis. Em um livro como “A grande transformação – as origens da nossa época” [Rio de Janeiro:Campus, 2000] de Karl Polanyi, mostra-se que o mercado tal qual ele existe não é natural, ele se consolidou a partir do século XIX e há outras formas de troca econômica, não necessariamente como a forma que o mercado atual . Então, quando se mostra uma atitude, mostra-se também uma maneira de recusar o mercado, porque esse mercado também é para poucos. A maioria da população esta sob os efeitos da dominação do mercado, mas não vive plenamente a economia monetária. Foi isso que o Schwartz [Roberto] disse: “Você vive numa economia monetária sem moeda“.

PET-ECO: VOCE COLOCA SEMPRE O “IMPÉRIOCOMO SENDO NORTE-AMERICANO E NO PREFACIO DO LIVRO IMPÉRIO, HARDT E NEGRI DESMISTIFICAM UM POUCO ESSA IDEIA DOS EUA COMO TODO PODEROSO DO MUNDO. VOCE ACREDITA QUE OS EUA ESTARIAM NO TOPO DO “IMPERIO”?

Muniz Sodré: Eu acho que os EUA estariam no topo. Entretanto, ele não é americano. O “Império” é um produto da civilização européia, e os EUA são uma irradiação da civilização européia. Compõem o “Império” o G7, ou seja, a Alemanha, a França, a Inglaterra, o Japão, os Tigres Asiáticos. Claramente não são apenas os EUA como país, mas uma rede multinacional. Eu diria que o “Império” é o centro do capital.

PET-ECO: E NÓS? NÃO FAZEMOS PARTE DO “IMPÉRIO“?

Muniz Sodré: Nós somos súditos. Estamos na periferia do capital. O Império é o capital voando, volátil, e quando baixa ele está em rede, que nos controla, e nós vivemos sob os efeitos dele. Quem é que nós repetimos efetivamente? Os EUA. Então, talvez a face visível do Império, e contra a qual mais se possa lutar, seja a dos EUA como nação. E, nesse momento, tudo isso que o Hardt e o Negri escreveram pode mudar rapidamente, porque é uma fase desse “Impérioque coincide com a globalização. A globalização tal como nós conhecemos até agora está acabando. Portanto, é uma coisa que digo nesse meu livro Antropológica do Espelho (Vozes, 2002): a globalização é mais um postulado do que um fato; é mais uma coisa que se prediga que uma realidade. Porque é realidade pra poucos países, não é a globalização do mundo. É dominação. Mas o discurso da globalização, que todo mundo conhece, está acabando.

http://www.etni-cidade.net/entrevista_muniz_sodre.htm

 


Cultura ANOS 70

Visão Geral

Foi a época em que aconteceu a crise do petróleo, o que levou os Estados Unidos à recessão, ao mesmo tempo em que economias de países como o Japão começavam a crescer. Nesta época também surgia o movimento da defesa do meio-ambiente, e houve também um crescimento das revoluções comportamentais da década anterior. Muitos a consideram a “era do individualismo”. Eclodiam nesta época os movimentos musicais do Rock and Roll, das discotecas, e também do experimentalismo na música erudita.

Música

Foi a última década do período classic rock. É também conhecida como a “década da discoteca”, devido ao surgimento da dance music. Surge também o movimento punk.

A incorporação de instrumentos de música erudita no rock já havia se iniciado dos anos 60, mas só ganhou ares de movimento (também derivado da psicodelia sessentista) no início dos anos 70, no que é conhecido como rock progressivo. Artistas tão diversos se reuniram na proposta, sendo os de grande destaque Pink Floyd, Genesis, Yes, Jethro Tull, Emerson, Lake & Palmer, King Crimson, Mike Oldfield, Van Der Graaf Generator, Gentle Giant, no terreno britânico. Também caíram no gosto bandas germânicas (Can, Faust, Neu!, Tangerine Dream, Amon Düül e Kraftwerk) e italianas (Le Orme, Formula Tre e Premiata Forneria Marconi). Canadá (Rush), Bélgica (Univers Zéro) e Holanda (Focus) também dão sua contribuição.

No Brasil, destaque para os trabalhos de O Terço, O Som Nosso de Cada Dia, A Barca do Sol, Bixo da Seda e Sagrado Coração da Terra. O disco que mais se destaca é The Dark Side of the Moon, de Pink Floyd. A banda baiana Doces bárbaros, idealizada por Maria Bethania, Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso.

Guerras e política

Dá-se a Revolução dos Cravos em Portugal (25 de Abril de 1974) e a independência das então colónias portuguesas em África: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Fim da Guerra do Vietname.

Economia

A economia mundial, e particularmente a dos Estados Unidos, entra em recessão após a crise do petróleo de 1973, quando a OPEC (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) triplica o preço do barril de petróleo. Tal fato ocorreu como retaliação dos países árabes, maioria dos constituintes da OPEC, aos Estados Unidos por estes terem apoiado Israel na Guerra do Yom Kippur, neste mesmo ano. O Brasil, ainda sob impulso do milagre econômico, posterga os efeitos desta primeira crise do petróleo utilizando reservas cambiais e, em seguida, empréstimos internacionais para equilibrar sua deficitária balança comercial. Porém o milagre econômico começa a entrar em declínio. Em 1979 um nova crise do petróleo preocupa o Ocidente. Desta vez motivada pela queda do Xá do Irã, Reza Pharlevi, então aliado dos Estados Unidos. A queda do Xá permite a ascensão ao poder do Aiatolá Komeini, líder muçulmano Xiita e inimigo declarado de Israel. Mais uma vez, agora por pressão do Irã, o petróleo é usado como arma e tem seu preço duplicado em detrimento dos Estados Unidos, maior consumidor mundial e histórico aliado de Israel. O Brasil sofrerá com muito mais intensidade os reflexos desta segunda crise do petróleo, tendo a inflação gradualmente acelerado seu ritmo de crescimento, por conta dos seguidos aumentos dos preços dos combustíveis no mercado interno. O milagre econômico então já acabara.

ORIGEM WIKIPÉDIA


Francisco Julião

 

“Agitador, sim! Como é possível conceber a vida sem agitação? Porque o vento agita a planta, o pólen se une ao pólen de onde nasce o fruto e se abotoa a espiga que amadurece nas searas. O gameto masculino busca o óvulo porque há uma causa que o agita. Se o coração não se agita, o sangue não circula e a vida se apaga.”

site excelente sobre Julião

http://www.alepe.pe.gov.br/perfil/parlamentares/FranciscoJuliao.html

 



Gregório Bezerra (1900- 1983)


Gregório Bezerra

Gregório Bezerra nasceu na cidade de Panelas de Miranda (a 200km de Recife) em 13 de março de 1900, filho de Lourenço Bezerra e Belarmina Conceição. Desde jovem vivenciou problemas brasileiros, especialmente aqueles ligados à seca, que castigava os lavradores pobres da região onde morava. Desde os 4 anos de idade trabalhava na lavoura e, quando ficou órfão de pai e mãe, aos oito anos de idade, passou a ser escravo doméstico. Fugiu depois de dois anos de maus-tratos. Viu muitos de seus amigos morrerem de fome. Assim como muitos deles, era sem-terra, sem-teto e analfabeto. Comia nos dias em que conseguia trabalho. Entre as várias atividades que exerceu, uma delas foi a de jornaleiro. Embora não soubesse ler os jornais que ele mesmo vendia, seu interesse pela política pôde ser despertado na medida em que conhecia a realidade brasileira de uma forma mais ampla na medida em que os seus colegas liam as notícias de jornais para ele.

Em um pequeno histórico realizado sobre as greves no Brasil, vimos que uma das greves mais marcantes e importantes para a nossa história foi a de 1917. Nesta greve, Gregório Bezerra começa a atuar ativamente, lutando com diversos trabalhadores pela jornada de 8 horas e em favor da Revolução Bolchevique. Neste episódio foi preso, acusado de perturbar ordem pública e cumpriu 5 anos de prisão. No ano de 1922 ele alista-se no Exército e decide se alfabetizar para entrar na Escola de Sargentos. Deixava muitas vezes de comer para pagar seus professores. a partir de 1927 passou a ler diversas obras marxistas e no ano de 1929 consegue entrar para a Escola de Sargentos. Gregório Bezerra casa-se neste mesmo ano com Maria da Silva, com a qual teve um casal de filhos. No ano seguinte ele filia-se ao Partido Comunista Brasileiro e passa a proteger militantes perseguidos pelo movimento integralista da época.

Em 1932 Gregório recebeu a missão de comandar um exército de analfabetos e flagelados da seca, que combateu os Paulistas na Revolução Constitucionalista. Participante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), sua principal tarefa foi filiar o maior número militares à frente que tinha como principais objetivos libertar o país dos exploradores e da corrupção do governo, através de uma insurreição popular. Gregório obteve sucesso nesta tarefa, além de conseguir centenas de fuzis e munições para a frente. Teve a incumbência, ainda, de deflagrar o movimento revolucionário em Recife. Liderou a tomada do Quartel General e vários pontos importantes da cidade. Com o movimento derrotado, Gregório foi preso, espancado e barbaramente torturado. O mesmo aconteceu com o seu irmão José Lourenço Bezerra, que morreu assassinado, deixando mulher e cinco filhos menores.

Por participar dos eventos ligados à insurreição comunista, Gregório foi condenado a 27 anos de prisão. Em 1942 foi transferido para a Ilha Grande. No ano seguinte, quando passou para o presídio Frei Caneca, conheceu Luís Carlos Prestes. Saiu da prisão em 1945 e participou do comício de Prestes, no estádio Vasco da Gama. Recebeu do PCB a tarefa de reorganizar o partido em Pernambuco. pôde encontrar novamente a sua família. Nas eleições de dezembro do mesmo ano, Gregório é o Deputado Federal mais votado para a Constituinte. Muitas questões que hoje se apresentam como direitos adquiridos ou que ainda vigoram entre as lutas da atualidade, foram defendidas por Gregório Bezerra no período em que atuou na Constituinte. Podemos citar, por exemplo, o direito de greve e a autonomia sindical; direito de votos aos analfabetos e aos militares; denúncia da exploração do trabalho, principalmente infantil; defesa da construção de creches para as mães solteiras e trabalhadoras, assim como sua obrigatoriedade em escolas, postos médicos, favelas e locais de trabalho. Mas todas estas lutas estavam diretamente vinculadas à defesa do socialismo para a solução dos problemas brasileiros. A sua experiência de vida não o deixou esquecer das lutas relativas à questão da terra. Foi defensor incondicional da Reforma Agrária Radical, que defendia o confisco das terras dos grandes latifundiários para distribuí-las a camponeses sem-terra, com empréstimos a juros baixos e a longo prazo, para o desenvolvimento agrícola.

Em setembro de 1947 o PCB volta novamente à ilegalidade e o mandato de seus deputados são cassados, inclusive o de Gregório Bezerra. Em 1948 foi seqüestrado e preso por ordem do então presidente Eurico Gaspar Dutra. Foi falsamente acusado de incendiar o quartel 15 R.I., em João Pessoa, na Paraíba. Sofreu várias tentativas de assassinato. Depois de dois anos de prisão foi absolvido por unanimidade pelo STM. Mesmo solto, continuou sendo perseguido. Entrou para a clandestinidade mas continuou atuando na organização do PCB. Atuou em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Paraná. Conseguiu milhares de assinaturas para a campanha a favor da Paz Mundial e também lutou ativamente na campanha “O Petróleo é Nosso”. Em 1957 foi novamente preso por sua militância, principalmente formando Ligas Camponesas e sindicatos rurais. Foi liberto por habeas corpus, impetrado por seus companheiros.

De volta a Pernambuco organizou a Frente Nacionalista de Recife, que elegeu Pelópidas Silveira para prefeito da cidade. No V Congresso do partido, no ano de 1960, é eleito para o Comitê Central. Em 1962 saiu em Viagem pela China, União Soviética e Europa. Na volta dedicou-se à campanha do General Lott e João Goulart. Ajudou a organizar o movimento camponês, que teve crescimento reivindicatório extraordinário no campo e nas cidades nesta época. Mas com o Golpe Militar de 1964, Gregório foi novamente cassado, espancado e barbaramente torturado pelos militares. Durante o período em que esteve preso, foi levado às ruas de Recife, amarrado com cordas pelo pescoço e arrastado, num espetáculo onde a tortura deveria servir de exemplo para aqueles que pretendessem lutar. Gregório foi quase enforcado publicamente e até hoje, as pessoas que presenciaram o espetáculo macabro, acreditam que ele morreu naquele episódio. Ainda na prisão, Gregório recebeu a visita dos Generais Olímpio Mourão e Ernesto Geisel, que negaram que tivesse havido qualquer tipo de tortura com relação a ele e aos outros presos políticos.

Gregório foi processado e condenado por crime de lesa Pátria e por subversão a 19 anos de prisão e sua saúde e integridade física foram totalmente abalados. Foi libertado, somente, no ano de 1969, trocado, junto com 13 presos políticos, pela vida do embaixador americano seqüestrado no Brasil. Foi enviado ao México, Cuba e URSS, onde recebeu assistência médica para tratar de sua saúde. Recuperado, passou a integrar o Movimento Internacional da Classe Operária no exílio. Retornou ao Brasil no ano de 1979, com a Anistia, após publicar seu livro Memórias. Aqui, foi recebido com festa, alegria e carinho por todos e declarou: “Tenho confiança inabalável na compreensão e no sentimento do povo. Eu voltei para me ligar novamente ao movimento de massas e com ele trabalhar até alcançar definitivamente as liberdades democráticas em nosso país”.

Desde que voltou do exílio até seus últimos dias, o herói do povoFeito de Ferro e de Flor“, conforme o poema de Ferreira Gullar, dedicou suas energias à luta pela derrubada da ditadura, pelas liberdades democráticas e pelo Socialismo. Em 1980 desliga-se do PC, solidarizando-se com Prestes, afirmando que continuaria fiel ao Marxismo-Leninismo e lutando pela Anistia Ampla, Geral e Irrestrita. Em 1982, candidata-se à Deputado Federal por Pernambuco, conseguindo a suplência.

Pouco antes de morrer Gregório declarou: “Gostaria de ser lembrado como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas; odiado e temido pelos capitalistas, sendo considerado o inimigo número um das Ditaduras Fascistas”.

Gregório Bezerra morreu em São Paulo à 21 de outubro de 1983, mas a sua vida de lutas deve ficar em nossas lembranças, principalmente para aqueles que têm esperanças num Brasil mais digno para todos.

http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?id=547&menu=97?=581

ORIGEM BRASIL CULTURA


O Centro Popular de Cultura – CPC

Histórico

O Centro Popular de Cultura – CPC é criado em 1961, no Rio de Janeiro, ligado à União Nacional de Estudantes – UNE, e reúne artistas de distintas procedências: teatro, música, cinema, literatura, artes plásticas etc. O eixo do projeto do CPC se define pela tentativa de construção de uma “cultura nacional, popular e democrática“, por meio da conscientização das classes populares. A idéia norteadora do projeto diz respeito à noção de “arte popular revolucionária“, concebida como instrumento privilegiado da revolução social. A defesa do caráter coletivo e didático da obra de arte, e do papel engajado e militante do artista, impulsiona uma série de iniciativas: a encenação de peças de teatro em portas de fábricas, favelas e sindicatos; a publicação de cadernos de poesia vendidos a preços populares; a realização pioneira de filmes auto-financiados. O engajamento cepecista encontra-se sistematizado no Anteprojeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura, de autoria do sociólogo Carlos Estevam Martins (1962), primeiro diretor do CPC. O documento postula o engajamento do artista frente ao quadro político e cultural do país no período e faz o diagnóstico da impossibilidade de uma arte popular fora da política. De acordo com o Anteprojeto, a arte do povo é “de ingênua consciência“, “desprovida de qualidade artística e de pretensões culturais”, não tem outra função, senão “a de satisfazer necessidades lúdicas e de ornamento“. Ao definir a arte como um dos instrumentos para a tomada do poder e o artista como aquele que assume um compromisso, ao lado do povo, o CPC defende umlaborioso esforço de adestramento à sintaxe das massas“, mas de modo a tirá-las de seu lugar de alienação e submissão.

A criação do CPC tem lugar no governo de João Goulart (1919 – 1976), em um contexto de forte mobilização política, com a expansão das organizações de trabalhadores, no campo e nas cidades. As classes médiassobretudo intelectuais e estudantes – estão presentes nos partidos políticos (o Partido Comunista Brasileiro – PCB ocupa lugar de destaque no quadro cultural da época e atrai formadores de opinião, como jornalistas, artistas e profissionais liberais em geral) e em entidades como a própria UNE. A militância política e o engajamento cultural andam de mãos dadas: os temas do debate político ecoam diretamente nas produções artístico-culturais. Essa situação difere da “utopia desenvolvimentista” dos anos  1950, que estimula o diálogo cerrado das vanguardas artísticas – do concretismo, por exemplo – com a técnica, com a indústria e com o mercado. Segundo Carlos Estevam Martins, a idéia do CPC tem origem no interior do grupo paulistano Teatro de Arena, por ocasião de uma temporada no Rio de Janeiro das peças Eles Não Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri (1934), e Chapetuba F.C., de Oduvaldo Vianna Filho (1936 – 1974). As insatisfações de alguns integrantes do Arena com o próprio grupo, que, apesar dos esforços, permanece um “teatro de classe média”, levam à montagem da peça de forte caráter didático A Mais Valia Vai Acabar, seu Edgar, de Oduvaldo Vianna Filho e Chico de Assis, com música de Carlos Lyra (1939), encenada no Teatro da Faculdade Nacional de Arquitetura, no Rio de Janeiro, em 1960. Da concepção da peça é convidado a participar Carlos Estevam, então sociólogo do Instituto Superior de Estudos Brasileiros – ISEB, para que colabore com uma “explicação científica e didática da mais-valia”, conceito integrante da teoria marxista. O grupo aí reunido organiza, em seguida, um curso de filosofia com José Américo Pessanha, realizado em auditório cedido pela UNE. Os debates ao longo do curso dão forma à idéia do CPC, que se beneficia de outras experiências, sobretudo a do Movimento de Cultura Popular – MCP, fundado no Recife por Germano Coelho, Ariano Suassuna (1927), Hermilo Borba Filho, Abelardo da Hora (1924), Aloizio Falcão, Paulo Freire (1921 – 1997), Francisco Brennand (1927) e Luís Mendonça. O MCP, ligado à Secretaria de Educação do Município, desenvolve atividades em diversas áreas (mas sobretudo no campo teatral) a partir de um forte programa pedagógico que visa “a elevação do nível cultural do povo”.

A influência direta do MCP sobre a concepção do CPC pode ser notada na prevalência do teatro sobre as demais artes, no trabalho coletivo, na defesa do engajamento e da necessidade de conscientização do povo.

Entre dezembro de 1961 e dezembro de 1962, o CPC produz as peças Eles Não Usam Black-Tie e A Vez da Recusa, de Carlos Estevam; o filme Cinco Vezes Favelaque reúne Couro de Gato, de Joaquim Pedro de Andrade (1932 – 1988), Um Favelado, de Marcos Faria, Escola de Samba e Alegria de Viver, de Cacá Diegues (1940), da Cachorra, de Miguel Borges e Pedreira São Diogo, de Leon Hirszman (1937) -; a coleção Cadernos do Povo e a série Violão de Rua, das quais participam Moacir Félix (1926), Geir Campos (1924 – 1999) e Ferreira Gullar (1930). Promove, ainda, cursos de teatro, cinema, artes visuais, filosofia e a UNE-Volante, excursão de três meses pelas capitais do país para contatos com as bases universitárias, operárias e camponesas. Posteriormente, o CPC fortalece a área de alfabetização de adultos e o setor de arquitetura, que funciona fundamentalmente para apoio das montagens teatrais. As oficinas de literatura de cordel contam com a participação de Félix de Athayde e de Ferreira Gullar. O projeto do teatro de rua, de Carlos Vereza (1939) e João das Neves (1935), assim como o teatro camponês, de Joel Barcelos, têm como objetivo levar a arte diretamente ao povo, pela encenação das peças nos locais de trabalho, moradia e lazer. O CPC promove ainda feiras de livros acompanhadas de shows de músicapara os quais convidam os “sambistas do morro“, Kéti (1921 – 1999), Nelson Cavaquinho (1910 – 1986) e Cartola (1908 – 1980) – que contam com a adesão de Vinícius de Moraes (1913 – 1980). A coleção Cadernos Brasileiros e a Revista Civilização Brasileira, editadas por Ênio Silveira, e História Nova, organizada por Nelson Werneck Sodré, sugerem a intensa colaboração entre os intelectuais do ISEB e do CPC. No campo das artes plásticas, de menor destaque que as demais, colaboram Júlio Vieira (1933 – 1999), Eurico Abreu (1933 – 1990), Delson Pitanga e Carlos Scliar (1920 – 2001).

Embora a experiência do CPC tenha dado frutos em outras regiões do paísem Belo Horizonte, por exemplo, onde atua o poeta Afonso Romano de Sant’Ana (1937) -, o seu locus é o Rio de Janeiro. Depoimentos indicam que as tentativas de trazer o CPC para São Paulo, por exemplo, fracassam em função da hegemonia do Teatro de Arena na cidade.

O golpe militar de 1964 traz consigo o fechamento do CPC, a prisão de artistas e intelectuais, e o exílio político. Mesmo assim, ecos do projeto cepecista reverberam em iniciativas posteriores, como no célebre show Opinião, em 1964, de Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa (1933 – 1984) e Paulo Pontesque reúne Kéti, João do Vale (1934 – 1996) e Nara Leão (1942 – 1989). O espetáculo possui certa  afinidade com o CPC, na medida em que defende ser a artetanto mais expressivaquanto mais tenha uma “opinião“, quanto mais se coloque como instrumento de divulgação de conteúdos políticos. A importância da experiência do CPC não deve desviar a atenção de outros movimentos e artistas que atuam na década de 1960, muitas vezes também a partir de um compromisso com a pauta nacional e popular, mas que não aderem ao projeto do grupo cepecista, por exemplo Glauber Rocha (1939 – 1981) e Hélio Oiticica (1937 – 1980). Isto, no entanto, não significa afirmar a falta de conexão entre seus trabalhos e o de integrantes do CPC. Oiticica, por exemplo, projeta a obra Cães de Caça (1961), que contém o Poema Enterrado, de Ferreira Gullar.

ORIGEM ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL