Minha Face?!

Por Fran de Lima!


Começo a caminhar,mas não reconheço o lugar. Tudo é muito escuro, o solo, é como casca de ovo ,seco e quebradiço, e tem uma cor vermelha como a do barro do nordeste. O céu morbidamente parado, tem a mesma cor. Não vejo plantas, nem animais. Tenho que cobrir minha boca e meu nariz, com minha blusa, p/ não respirar a poeira cinza que vem de todos os lados. Vejo placas gigantes, que passam bem no meio da Terra,como grandes parabólicas, elas filtram o sol, tem claridade onde estão as placas, o restante é todo escuro,e como muitas coisas pelo caminho. Como panelas,pratos,objetos pessoais,retratos,malas vazias,brinquedos,dando algum sinal, de que ali,existira uma civilização. Mas qual? O que aconteceu? Para onde foram todos?Começo a gritar,minha garganta fica seca com a poeira que agora corre até no meu sangue. Sem voz,começo a procurar,mas o escuro é imenso, existem muitos morros e é muito difícil caminhar. Continuo a procurar,na esperança de que alguém me uma resposta. Me explique o porque . Depois de caminhar muitas horas ou dias, pois a noção de tempo que conheço, não existe mais. Vejo ao longe, no alto de um dos morros, algo que me parece uma pessoa. Corra em desespero, para alcançá-la. O ar me falta, tento respirar,o ar é quente como vapor de panela. Não vejo água em nenhum lugar, nem uma única árvore, para que eu possa encostar. Com muita dificuldade, continuo,em direção daquela pessoa. Ao ponto em que vou me aproximando,percebo ser uma mulher. Muito machucada,com roupas rasgadas,cabelo no rosto e uma incrível angustia. Ela olha-se,desesperada,como se procurando respostas. Seu desespero aumenta, a medida em que eu me aproximo. Sinto um peso enorme em cada passo. Não consigo entender, o pq ,meu peito está tão apertado, ao ponto em que vou chegando mais perto. Mais mesmo assim,continuo a caminhar. O céu parece baixar a cada passso, o chão, fica cada vez mais seco,como minha garganta. De repente ouço um grito horrível,desesperador. Vem da mulher. Começo correr em direção a ela, no desespero de ajudá-la. E quando me aproximo,e a toco.Sinto o céu parar,o chão tremer,e o ar me faltar aos pulmões. Toco-a nas costas,e como que por um impulso,caio de joelhos a seu lado. Com minhas mãos,num leve toque,começo a levantar seus cabelos,endurecidos pela poeira. Ela reluta,meu coração dispara. Mas eu continuo,preciso ver,quem é esse ser,e pq ele sofre tanto. Aos poucos,sua face vai sendo revelada,e o que vejo, é assustador e me tira o ar totalmente. O que vejo,é minha face,em pânico. Vejo na janela dos meus olhos,dor,fracasso,angustia e arrependimento. Caímos as duas,uma ao lado da outra,sem conseguir respirar. O céu começa a baixar,o chão começa a esquentar,e não conseguimos encontrar nenhuma saída. Fico ali,imóvel,com toda a culpa.Sem ter,nem a esperança,nem mais uma chance

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