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Posts de Outubro, 2007

Adorno e a cultura de massa

Publicado por culturareligare em Outubro 26, 2007

Leia ma
 
 

Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, projetou-se como um dos críticos mais ácidos dos modernos meios de comunicação de massa. Ao exilar-se nos Estados Unidos, entre 1938 e 1946, percebeu que a mídia não se voltava apenas para suprir as horas de lazer ou dar informações aos seus ouvintes ou espectadores, mas fazia parte do que ele chamou de industria cultural. Um imenso maquinismo composto por milhares de aparelhos de transmissão e difusão que visava produzir e reproduzir um clima conformista e dócil na multidão passiva.

 

Indo para a América

Theodor Adorno (1903-1969)

A civilização atual a tudo confere um ar de semelhança
M.Horkheimer e T.Adorno – a Indústria Cultural, 1947

Theodor Adorno – cujo centenário de nascimento celebra-se neste 11 de setembro – nascido em Frankfurt, na Alemanha, em 1903, foi daqueles tantos intelectuais, cientistas, artistas, compositores e escritores alemães, que, na década de 1930, por serem de descendência judaica ou por inclinarem-se pelo socialismo, ou ambas as coisas, foram obrigados a emigrar para os Estados Unidos, naquilo que foi, talvez, a maior evasão de cérebros registrada na história contemporânea. Ele pertencia a um grupo de pensadores extremamente sofisticado que fazia parte da famosa Escola de Frankfurt, fundada em 1923, e que fora constrangido a sair do país nos anos seguintes da ascensão do nacional-socialismo ao poder.

É de se imaginar o contentamento dele quando, ainda na Suíça, no outono de 1938, recebeu um inesperado telefonema de Londres do seu particular amigo e parceiro, Max Horkheimer. Era um convite para que ele fosse à América para assumir uma pesquisa a serviço da Universidade de Princeton, a mesma que, em 1933, convidara Albert Einstein para integrar o seu corpo docente.

Tratava-se de um projeto e tanto, pois a Radio Research Projet queria saber tudo sobre os ouvintes norte-americanos. Nova Iorque provocou-lhe uma estranha reação. Chocou-o a convivência dos “palácios colossais…dos grandes cartéis internacionais”, com sombrios edifícios erguidos para os pequenos negócios, formando, no geral, um ar de cidade desolada. Nem mesmo o plano municipal de levar gente a morar nos subúrbios mais afastados, dando as residências um ar de individualidade, o consolou.

 

A estandartização americana

Para ele, um europeu refinado que passara boa parte da sua vida cultivando a música modernista de Alban Berg e, depois, a de Schönberg e sua atonalidade incidental, a América pareceu-lhe toda igual. Contraditoriamente, o país que mais celebrava e enaltecia a singularidade, a cada um procurar ser algo bem diferente dos demais, não parava de produzir e imprimir tudo idêntico, tudo estandartizado. A imensa rede de atividades que cobria toda a cidade era regida apenas pela ideologia do negócio. Numa sociedade onde as pessoas somente sorriam se ganhavam uma gorjeta, nada escapava das motivações do lucro e do interesse. Aprofundando-se no estudo da mídia norte-americana, entendeu que por detrás daquele aparente caos, onde rádios, filmes, revistas e jornais, atuavam de maneira livre e independente, havia uma espécie de monopólio ideológico cujo objetivo era a domesticação das massas. Quando o cidadão saía do seu serviço e chegava em casa , a mídia não o deixava em paz, bombardeando-o, a ele e à família, com programas de baixo nível, intercalados com anúncios carregados de clichês conformistas, comprometendo-o com a produção e o consumo.

Não se tratava, para ele, de que aqueles sem fim de novelas e shows de auditórios refletissem a vontade das massas, algo autêntico e espontâneo, vindo do meio do povo. Um anseio que os profissionais da mídia apenas procuravam dar corpo, transformando-os diversão e entretenimento. Ao contrário, demonstrava, isso sim, a existência de uma poderosa e influente indústria cultural que, de forma planejada, impingia aos seus consumidores doses cavalares de lugares comuns e banalidades, cujo objetivo era ajudar a reproduzir “o modelo do gigantesco mecanismo econômico” que pressionava sem parar a sociedade como um todo.

Lá, na América, não havia espaço neutro. Não ocorria uma cisão entre a produção e o lazer. Tudo era a mesma coisa, tudo girava em função do grande sistema. Dessa forma, qualquer coisa que causasse reflexão, uma inquietação mais profunda, era imediatamente expelida pela industria cultural como indigesta ou impertinente. Adorno, terminada a Segunda Guerra, voltou para a Europa, para Frankfurt, atarefado em reabria a sua escola de sociologia. Morreu em 1969, arrasado com a humilhação que estudantes ultra-esquerdistas o submeteram, em plena sala de aula, durante a revolta de 1968/9.

 

Obras principais de Adorno

1933 - Kierkegaard. Konstruktion des Ästhetischen (Kierkegaard, a construção da estética)
1947 – Dialektik der Aufklärung. Philosophische Fragmente (A dialética do esclarecimento. Filosofia em fragmento), com Max Horkheimer)
1949 – Philosophie der neuen Musik (A filosofia da nova música)
1950 – The Authoritarian Personality (A personalidade autoritária) juntamente com E. Frenkel-Brunswik, D. J. Levinson e R. N. Sanford)
1951 – Minima Moralia. (Mínima morália)
1956 - Zur Metakritik der Erkenntnistheorie. (Sobre a metacrítica da teoria do conhecimento)
1967 - Negative Dialektik (Dialética negativa)
1970 - Ästhetische Theorie (Teoria estética)
1971 - Soziologische Schriften (Escritos sociológicos)

http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2003/09/08/000.htm

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DA CULTURA À INDUSTRIA CULTURAL – MILTON SANTOS

Publicado por culturareligare em Outubro 26, 2007

Da cultura à indústria culturalAutor: MILTON SANTOS
Editoria: MAIS! Página: 18
Edição: Nacional Mar 19, 2000
Seção: + BRASIL 500 D.C.
Observações: PÉ BIOGRÁFICO
Assuntos Principais: BRASIL; INDÚSTRIA CULTURAL; CRÍTICA

Da cultura à indústria cultural

O Brasil é um dos países onde a indústria cultural deitou raízes mais fundas e, por isso mesmo, vem produzindo estragos de monta; tudo se tornou objeto de manipulação bem azeitada, embora nem sempre bem-sucedida – Milton Santos

Neste ano 2000, muitas iniciativas podem apenas encobrir uma vontade festeira, permanecendo na superfície das questões em lugar de aprofundá-las. Como a festa faz parte da vida, pode-se até aceitar que certos temas ganhem esse tratamento. Há outros, no entanto, que exigem uma atitude mais severa, por exemplo a cultura.

Nesse último caso, o debate tem que ir mais longe que os comentários encomiásticos ou acerbos que se fazem em torno dos espetáculos e pessoas, como se pudesse ser transformado em “show business” o capítulo destinado a uma apreciação mais sisuda da questão.

Puro e profundo

O momento parece propício para enfrentar o necessário balanço da forma como evolui, no país, a própria idéia de cultura, sobretudo neste último meio século. Esse debate deve, necessariamente, incluir, a partir das definições encontradas _múltiplas definições e não apenas uma_ a determinação das tarefas também múltiplas, que deveremos enfrentar nesta passagem de século, para ajudar a retratar a sociedade brasileira naquilo que ela tem de mais puro e mais profundo.

O conceito de cultura está intimamente ligado às expressões da autenticidade, da integridade e da liberdade. Ela é uma manifestação coletiva que reúne heranças do passado, modos de ser do presente e aspirações, isto é, o delineamento do futuro desejado. Por isso mesmo, tem de ser genuína, isto é, resultar das relações profundas dos homens com o seu meio, sendo por isso o grande cimento que defende as sociedades locais, regionais e nacionais contra as ameaças de deformação ou dissolução de que podem ser vítimas. Deformar uma cultura é uma maneira de abrir a porta para o enraizamento de novas necessidades e a criação de novos gostos e hábitos, subrepticiamente instalados na alma dos povos com o resultado final de corrompê-los, isto é, de fazer com que reneguem a sua autenticidade, deixando de ser eles próprios.

Ao longo dos séculos, a cultura se manifesta pelas mais diversas formas de expressão da criatividade humana, mas não apenas no que hoje chamamos “as artes” (música, pintura, escultura, teatro, cinema etc) ou através da literatura e da poesia em todos os seus gêneros, mas também por outras formas de criação intelectual nas ciências humanas, naturais e exatas. É a esse conjunto de atividades que se deveria denominar de cultura.

As culturas nacionais desabrocham como reflexo do que se convencionou chamar de gênio de um povo, expresso pela língua nacional, que é também uma espécie de filtro, veículo das experiências coletivas passadas e também forma de interpretar o presente e vislumbrar o futuro. É verdade que na sociedade babelizada que é a nossa, as contaminações de umas culturas pelas outras tornaram-se possível industrialmente, dando lugar a uma mais forte influência daquelas tornadas hegemônicas sobre as demais, que assim são modificadas. É por isso que toda controvérsia sobre o assunto deve ser atualizada e, para ser consequente, tem de ser começada e terminada com a difícil, mas escorregadia, discussão sobre a indústria cultural: o que é, como se dão seus efeitos perversos em termos de lugar e de tempo. Sem isso o debate pode se dar hoje, mas é como se ainda estivéssemos vivendo em outro século e em outro planeta.Sem essa precaução, corremos o risco de colocar no mesmo saco as diversas manifestações ditas culturais e de avaliar com a mesma medida os seus intérpretes.

Condições particulares

O Brasil, pelas suas condições particulares desde meados do século 20, é um dos países onde essa famosa indústria cultural deitou raízes mais fundas e por isso mesmo é um daqueles onde ela, já solidamente instalada e agindo em lugar da cultura nacional, vem produzindo estragos de monta. Tudo, ou quase, tornou-se objeto de manipulação bem azeitada, embora nem sempre bem-sucedida. O Brasil sempre ofereceu, a si mesmo e ao mundo, as expressões de sua cultura profunda através do talento dos seus pintores e músicos e poetas, como de seus arquitetos e escritores, mas também dos seus homens de ciência, na medicina, nas engenharias, no direito, nas ciências sociais.

Hoje, a indústria cultural aciona estímulos e holofotes deliberadamente vesgos e é preciso uma pesquisa acurada para descobrir que o mundo cultural não é apenas formado por produtores e atores que vendem bem no mercado. Ora, este se auto-sustenta cada vez mais artificialmente mantido, engendrando gênios onde há medíocres (embora também haja gênios) e direcionando o trabalho criativo para direções que não são sempre as mais desejáveis. Por estar umbilicalmente ligada ao mercado, a indústria cultural tende, em nossos dias, a ser cada vez menos local, regional, nacional.

Nessas condições, é frequente que as manifestações genuínas da cultura, aquelas que têm obrigatoriamente relação com as coisas profundas da terra, sejam deixadas de lado como rebotalho ou devam se adaptar a um gosto duvidoso, dito cosmopolita, de forma a atender aos propósitos de lucro dos empresários culturais. Mas cosmopolitismo não é forçosamente universalismo e pode ser apenas servilidade a modelos e modas importados e rentáveis.

Sistema de caricaturas

Nas circunstâncias atuais, não é fácil manter-se autêntico e o chamamento é forte, a um escritor, artista ou cientista para que se tornem funcionários de uma dessas indústrias culturais. A situação que desse modo se cria é falsa, mas atraente, porque a força de tais empresas instila nos meios de difusão, agora mais maciços e impenetráveis, mensagens publicitárias que são um convite ao triunfo da moda sobre o que é duradouro. É assim que se cria a impressão de servir a valores que, na verdade, estão sendo negados, disfarçando através de um verdadeiro sistema bem urdido de caricaturas, uma leitura falseada do que realmente conta.

No arrastão suscitado pelo bombardeio publicitário, o que não é imediatamente mercantil fica de fora, enquanto a sociedade embevecida mistura no seu julgamento valores e autores. Quem é gênio verdadeiro, quem é canastrão diplomado? Há quem possa ser gênio e mercadoria sem ser ao mesmo tempo gênio e canastrão, mas essa distinção não exclui a generalidade da impostura com que alhos e bugalhos se confundem.

A pedra de toque do êxito legítimo, que não se mede pelo resultado imediato ou pelo sucesso apenas mercantil, estará em saber distinguir trigo e joio, cultura autêntica e indústria cultural.

Como, porém, subsistir enquanto se espera? Como assegurar aos jovens que o seu esforço receberá, um dia, o reconhecimento? Esse é um grave problema do trabalho intelectual em geral e das tarefas especificamente culturais em particular, em tempos de globalização, sobretudo nos regimes neoliberais como o nosso.

O Ministério da Cultura deveria promover uma reflexão nacional e pluralista sobre a questão. Em sua falta, as universidades públicas bem poderiam fazer jus à sua vocação e corajosamente assumir a responsabilidade da iniciativa. Não dá mais para fazer de conta que o problema não existe.

Milton Santos é geógrafo, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. É autor, entre outros, de “Técnica, Espaço, Tempo. Globalização e Meio Técnico-Científico-Informacional” (Hucitec). Ele escreve a cada dois meses na seção “Brasil 500 d.C.” do Mais!.

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Indústria cultural

Publicado por culturareligare em Outubro 26, 2007

Indústria cultural é o nome dado a empresas e instituições que trabalham com a produção de projetos, canais, jornais, rádios, revistas e outras formas de descontração, baseadas na cultura, visando o lucro. Sua origem se deu através da sociedade capitalista que transformou a cultura num produto comercializado.

A principal forma cultural construída por estas indústrias é a televisão que ensina e forma indivíduos cada vez mais cedo. Nela podem-se observar diferentes temas e culturas expostas a qualquer horário e idade. Os conteúdos nela existentes possuem mensagens subliminares que conseguem escapar da consciência, o que tende a provocar alienação. Diante disso pode-se perceber este meio cultural como um produto bom que é capaz de mostrar conteúdos reveladores e contribuir para o desenvolvimento humano e um produto ruim capaz de alienar uma pessoa levando-a a pensar e agir como lhe é proposto sem qualquer tipo de argumentação.

No Brasil, a indústria cultural não é homogênea, pois foca temas, assuntos e culturas estrangeiras no lugar de ensinar e incentivar o interesse sobre a história e as tradições do próprio país. Infelizmente, a triste realidade brasileira é que são focados apenas objetos de compra e venda e não a propriamente cultura no qual esta se propunha. A produção realizada pela indústria cultural é centralizada no interesse lucrativo, o que impõe um determinado padrão a ser mostrado que transforma o espectador numa pessoa de crítica rebaixada e de mente narcotizada.
retirado de http://www.brasilescola.com/cultura/industria-cultural.htm

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Adorno e a Indústria Cultural

Publicado por culturareligare em Outubro 26, 2007

Daniel Ribeiro da Silva*

Resumo:

O presente texto pretende ser mais uma explanação de algumas reflexões do filósofo T. W. Adorno (1903-1969) acerca da Indústria Cultural vigente no século XX.

Palavras-chave: Adorno, indústria cultural, ideologia, razão técnica, arte.

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Cultura de massa

Publicado por culturareligare em Outubro 25, 2007

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Chama-se cultura de massa toda cultura produzida para a população em geral — a despeito de heterogeneidades sociais, étnicas, etárias, sexuais ou psicológicas — e veiculada pelos meios de comunicação de massa. Enfim, cultura de massa, é toda manifestação cultural produzida para o conjunto das camadas mais numerosas da população; o povo, o grande público.

Cultura de Massa e Cultura Popular

Como conseqüência das tecnologias de comunicação surgidas no século XX, e das circunstâncias geopolíticas configuradas na mesma época, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de ofuscar os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela. Antes de haver cinema, rádio e TV, falava-se em cultura popular, em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas; em cultura nacional, componente da identidade de um povo; em cultura , conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais; e num número tal de culturas que, juntas e interagindo, formavam identidades diferenciadas das populações.

A chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais “culturas” a um projeto comum e homogêneo — ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional (e, mais tarde, global), a cultura elaborada pelos vários veículos então surgentes esteve sempre ligada intrinsecamente ao poder econômico do capital industrial e financeiro. A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura — de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa.

A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis, teve de ser um dos objetos dessa repressão imperiosa. Justamente por ser anterior, o popular era também alternativo à cultura de massa, que por sua vez pressupunha — originalmente — ser hegemônica como condição essencial de existência.

O que a indústria cultural percebeu mais tarde (e Adorno constatou, pessimista), é que ela possuía a capacidade de absorver em si os antagonismos e propostas críticas, em vez de combatê-lo. Desta forma, sim, a cultura de massa alcançaria a hegemonia: elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada.

A “censura”, que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção. A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser “de mau gosto” ou “de baixa qualidade” , é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do “isto não vende mais” — depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político.

No contexto da indústria cultural — da qual a mídia é o maior porta-voz — são totalmente distintos e independentes os conceitos de “popular” e “popularizado”, já que o grau de difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra. A grande alteração da cultura de massa foi transformar todos em consumidores que, dentro da lógica iluminista, são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem. Dessa forma, pode haver o “popular” (i.e., produto de expressão genuína da cultura popular) que não seja popularizado (“que não venda bem”, na indústria cultural) e o “popularizado” que não seja popular (vende bem, mas é de origem elitista).

Indústria cultural é o nome genérico que se dá ao conjunto de empresas e instituições cuja principal atividade econômica é a produção de cultura, com fins lucrativos e mercantis. No sistema de produção cultural encaixam-se a TV, o rádio, jornais, revistas, entretenimento em geral; que são elaborados de forma a aumentar o consumo, moldar hábitos, educar, informar, podendo pretender ainda, em alguns casos, ter a capacidade de atingir a sociedade como um todo.

 Indústria cultural

A expressão “indústria cultural” foi utilizada pela primeira vez pelos teóricos da Escola de Frankfurt Theodor Adorno e Max Horkheimer no livro Dialektik der Aufklärung (Dialética do Esclarecimento, no Brasil ou Dialética do Iluminismo, em Portugal). Nessa obra, Adorno e Horkheimer discorrem sobre a reificação da cultura por meio de processos industriais.

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Cultura de massa

Publicado por culturareligare em Outubro 25, 2007

Chama-se cultura de massa toda cultura produzida para a população em geral — a despeito de heterogeneidades sociais, étnicas, etárias, sexuais ou psicológicas — e veiculada pelos meios de comunicação de massa. Enfim, cultura de massa, é toda manifestação cultural produzida para o conjunto das camadas mais numerosas da população; o povo, o grande público.

Cultura de Massa e Cultura Popular

Como conseqüência das tecnologias de comunicação surgidas no século XX, e das circunstâncias geopolíticas configuradas na mesma época, a cultura de massa desenvolveu-se a ponto de ofuscar os outros tipos de cultura anteriores e alternativos a ela. Antes de haver cinema, rádio e TV, falava-se em cultura popular, em oposição à cultura erudita das classes aristocráticas; em cultura nacional, componente da identidade de um povo; em cultura , conjunto historicamente definido de valores estéticos e morais; e num número tal de culturas que, juntas e interagindo, formavam identidades diferenciadas das populações.

A chegada da cultura de massa, porém, acaba submetendo as demais “culturas” a um projeto comum e homogêneo — ou pelo menos pretende essa submissão. Por ser produto de uma indústria de porte internacional (e, mais tarde, global), a cultura elaborada pelos vários veículos então surgentes esteve sempre ligada intrinsecamente ao poder econômico do capital industrial e financeiro. A massificação cultural, para melhor servir esse capital, requereu a repressão às demais formas de cultura — de forma que os valores apreciados passassem a ser apenas os compartilhados pela massa.

A cultura popular, produzida fora de contextos institucionalizados ou mercantis, teve de ser um dos objetos dessa repressão imperiosa. Justamente por ser anterior, o popular era também alternativo à cultura de massa, que por sua vez pressupunha — originalmente — ser hegemônica como condição essencial de existência.

O que a indústria cultural percebeu mais tarde (e Adorno constatou, pessimista), é que ela possuía a capacidade de absorver em si os antagonismos e propostas críticas, em vez de combatê-lo. Desta forma, sim, a cultura de massa alcançaria a hegemonia: elevando ao seu próprio nível de difusão e exaustão qualquer manifestação cultural, e assim tornando-a efemêra e desvalorizada.

A “censura”, que antes era externa ao processo de produção dos bens culturais, passa agora a estar no berço dessa produção. A cultura popular, em vez de ser recriminada por ser “de mau gosto” ou “de baixa qualidade” , é hoje deixada de lado quando usado o argumento mercadológico do “isto não vende mais” — depois de ser repetida até exaurir-se de qualquer significado ideológico ou político.

No contexto da indústria cultural — da qual a mídia é o maior porta-voz — são totalmente distintos e independentes os conceitos de “popular” e “popularizado”, já que o grau de difusão de um bem cultural não depende mais de sua classe de origem para ser aceito por outra. A grande alteração da cultura de massa foi transformar todos em consumidores que, dentro da lógica iluminista, são iguais e livres para consumir os produtos que desejarem. Dessa forma, pode haver o “popular” (i.e., produto de expressão genuína da cultura popular) que não seja popularizado (“que não venda bem”, na indústria cultural) e o “popularizado” que não seja popular (vende bem, mas é de origem elitista).

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A massa fria com Narciso no trono

Publicado por culturareligare em Outubro 25, 2007

O indivíduo pós-modernista é consumista, hedonista (busca do prazer como única felicidade da vida) e narcisista (vaidoso de si mesmo), se preocupando com o presente. Isso é um problema que o pós-modernismo trouxe, devido ao alto grau de sofisticação dos arsenais de sedução e domínio, obrigando o sujeito a consumir. A quantidade de informações, na maioria das vezes inúteis, estão produzindo cidadãos passivos, desmobilizados e despolitizados, meio vegetais diante da mídia, inseguros e de vontades determinadas pelas suas necessidades mais imediatas. Nesse emaranhado de informações, valores e tendências, dispersas nas mais opções oferecidas ao indivíduo, a idéia é de que o mundo está sem limites e de que o paraíso é o passageiro prazer de cada novidade do consumo.Para o pós-modernismo, só o presente conta, com a deserção da História, do político e do ideológico, do trabalho, da família e da religião. O sujeito pós-moderno é indiferente à política, não crê no valor moral nem da realização pessoal relacionada ao trabalho, está cada vez mais descrente e menos religioso. Com esse neo-individualismo, o sujeito indivíduo narcisista é atingido pela dessubstancialização do sujeito, uma falta de identidade. No mundo pós-moderno, objetos e informação são descartáveis, produzindo personalidades também descartáveis e apáticas, com os modismos tomando lugar dos grandes valores ocidentais.

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PÓS MODERNO II

Publicado por culturareligare em Outubro 25, 2007

Pós-modernismo é uma síntese de todos os conteúdos da contemporaneidade, que surgiu primeiro no cenário artístico e ganhou terreno, espalhando-se em todas as áreas. Pode-se também defini-lo pelos seus três ideais: o individualismo, o pós-dever e o narcisismo hedonista.

O pós-modernismo invadiu o cotidiano com a tecnologia eletrônica de massa e individual, visando a sua saturação com informações, diversões e serviços.

O pós-modernismo permite uma fortuna ser aplicada em sofisticados equipamentos e pesquisas espaciais, num interesse frenético por “outros mundos”. Enquanto isso, vê-se milhares de pessoas morrerem por não conseguirem o mínimo para saciar as suas necessidades básicas.

Enfim, o pós-modernismo ameaça encarnar hoje estilos de vida e de filosofia nos quais viceja uma idéia tida como arqui-sinistra: o niilismo, o nada, o vazio, a ausência de valores e de sentido para a vida. Um exemplo disso é a introdução gradativa do american way of life no cotidiano, que todos querem copiar, o que fica mais fácil perante a globalização.

Paira uma pergunta no ar: o pós-modernismo é agonia ou êxtase? Isso não importaria tanto se existisse ajuda em relação a formar o cidadão consciente, capaz de manejar com objetividade os poderosos instrumentos que as novas tecnologias da comunicação estão colocando à sua disposição. Nesse caso, haveria de se exercitar uma vigilância sobre os veículos de comunicação, a fim de chamá-los à sua responsabilidade de principais formadores de opinião.

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PÓS MODERNIDADE (texto 2 aula de ontem)

Publicado por culturareligare em Outubro 19, 2007

Não deixem de ler o texto A NECESSIDADE DA ARTE DE ERNST FISCHER o primeiro texto que lemos ontem.


A modernidade teve o seu fim. Vive-se na pós modernidade: nome dado a esse complexo período situado no final desse século. Um período difícil de ser caracterizado devido a sua complexidade e por se manifestar no rastro da modernidade. A modernidade morreu, e nem mesmo foram concluídos os serviços funerários, já reina a pós modernidade.

A pós modernidade atesta a falência dos valores modernos: a crença na superioridade da razão sobre a emoção, da superioridade da máquina sobre o homem, o sentido de propriedade, o desejo de liberdade manifestado pela revolução democrática… tudo isso demonstrou sua fragilidade e sua farsa. O mundo não se tornou tão bom e feliz como se acreditava. As duas grandes guerras e a Shoá confirmaram definitivamente o fracasso dos ideais modernos. A qualidade de vida não correspondeu ao nível de evolução científica e tecnológica; os modelos políticos não trouxeram a prosperidade, a liberdade, a igualdade e a fraternidade apregoadas; os ideais de raça, de superioridade cultural e religiosa manifestaram-se com mais força do que nunca. O mundo dividiu-se entre ricos e miseráveis, acentuando a dependência e submissão. Todo o progresso científico e tecnológico não foi capaz de suprimir a miséria e as doenças. O mundo foi dividido em níveis: primeiro mundo… terceiro mundo…

No campo da ética, venceu o individualismo. Valorizou-se mais o que se pode ganhar do que se pode fazer para melhorar a vida de todos. Tal individualismo produziu uma solidão pavorosa no homem, levando-a a consumir cada vez mais, como uma forma de compensação das necessidades afetivas.

A religião, que, por muito tempo explicou aquilo que pertencia ao âmbito da natureza, na modernidade perdeu sua capacidade diante do conhecimento científico. Depois que o homem inventou o pára-raios, as palmas bentas, que os católicos queimavam (alguns ainda queimam) para espantar trovoadas, perderam o seu poder. Se as religiões apresentaram aos seus fiéis o modelo ético ideal, os homens não se sentiram muito convencidos disso: foi no mundo ocidental – cristão que aconteceram as duas grandes guerras, as perseguições, a intolerância religiosa e racial, a Shoá.


Ocorreu, neste século, fenômeno da secularização que repercutiu profundamente no campo religioso. Secularização consiste em reconhecer “a justa autonomia das realidades terrenas”, que têm suas leis próprias, seu valor próprio, independentemente da religião ( Concílio Vaticano II, GS 36). Assim, a religião retrocedeu como “instituição de poder”, embora não tenha sido eliminada como vivência pessoal. Surgiram as mais diversas expressões religiosas que, como num mercado, ofereceram conforto, consolo e promessas “mágicas” de melhores dias aos seus devotos: religiões sem deus (ou com deuses para todos os gostos e necessidades), sem ética, sem compromisso social, oportunistas. Eram religiões ou “filosofias” para todos os gostos, combinando com os valores individualistas da modernidade. Enfim, a vida religiosa, comprometida pelo individualismo, passou para o âmbito privado das interpretações e práticas pessoais.

A pós modernidade vem exatamente fazer a crítica da modernidade. Ela apresenta-se como a constatação do seu evidente fracasso. Contesta seus valores, e surge, no final do século, como um ajuste de contas com aquilo que significou o moderno. Talvez, embutido nesse movimento tão complexo, esteja a proposta para uma nova ética mundial. Todavia, muitas das suas características são preocupantes e não nos parecem tão positivas.

Os primeiros indícios deste novo tempo surgiram na França em 68, quando houve uma mudança na escala de valores. Foi também em 73 que o mundo experimentou as incertezas do progresso: a crise do petróleo. Assim, a tecnologia voltou seus esforços para superar os seus adversários. As comunicações passaram a desempenhar um papel importante de integração dos povos e das culturas, ao mesmo tempo, encarregou-se de comercializar tudo ( música, esportes…).

Com a pós modernidade a esperança no progresso entrou em crise. A política perdeu a ideologia, e mais do que nunca passou a ser “a arte do possível”. A crença de que com o conhecimento das lei da natureza tudo poderia ser realizado terminou na beira do precipício: a natureza foi destruída, tomou-se consciência dos perigos do seu aproveitamento desmedido. Pobres e ricos estão expostos aos mesmos males da contaminação atômica ou pela destruição da camada de ozônio.

O homem de hoje abandonou o pensamento racional. Quem manda é o sentimento. Ao mesmo tempo, ao se renegar a razão, o pensamento perde o seu fundamento. Terminam as certezas. Alcança-se a verdade sim, mas somente num contexto muito parcial e localizado. A razão só serve como instrumento da tecnocracia, para produção e consumo. Em outras palavras, o que é valorizado é a experiência. Ela venceu, neste final de século, os discursos da racionalidade.

O pensamento pós moderno pôs de lado os grandes relatos históricos. Todas as explicações que pretendem dar uma visão integrada e coerente dos diferentes aspectos da realidade são rejeitadas: nada de respostas últimas portadoras de sentido, nada de grandes projetos, nada de ideologias, pois todas fracassaram. O que vale são as “pequena histórias”. Não existe mais a “grande história” que oferecia um horizonte onde era possível situar os grandes acontecimentos que ofereciam coerência e que, bem ou mal, permitiam a antevisão do futuro. Entramos num novo modo de sentir e experimentar a vida, sem memória, sem continuidade histórica, sem futuro. A predileção pós moderna é pelo efêmero, pelo fragmentário, pelo descontínuo e caótico.

Também o homem deixou de ser protagonista dos acontecimentos históricos. Estes tornaram-se, na visão pós moderna, independentes do ser humano. Assim, o sujeito torna-se fragmentado e descentrado no seu ser íntimo, incapaz de unificar suas experiências e projetar-se no tempo.

Já não existem critérios morais válidos, com valor em si mesmos, de âmbito universal. Nada de valores absolutos. É ainda possível sim, haver acordo sobre algumas coisa, mas estes não passam de fracos consensos sociais, sem compromisso definitivo nem universais: existem sim, compromissos transitórios e locais.

A ética foi substituída pela estética: vale o belo. As opções passaram a ser privadas, orientadas pela vontade, sem coação, sem coerência. “Se ontem era a meditação transcendental e a ioga, hoje é o álcool e a droga, amanhã a aeróbica e a reencarnação…”. Tudo é valido, tudo é experiência… viver é experimentar sensações…quanto mais fortes, melhor. Nada de sentimentos de culpa, nada de bem e nada de mal, nada de valores… assim é na pós modernidade.

O modelo de vida pós moderno é aquele apresentado pelas novelas, pelos comerciais de tevê ( do Free, é um belo exemplo): busca-se um ” estilo e vida”, busca-se pequenos instantes de prazer, vive-se no vazio.

A pós modernidade pôs em crise a pertença às realidades que transcendem a própria esfera pessoal. Deu origem ao jovem light, superficial, imediatista, cheio de coisas, mas vazio de ideais, incapaz e assumir compromissos, que não atinge a realidade, saturado de perguntas, de informações justapostas…mas incapaz de chegar à unidade.

No âmbito religioso, proliferam os movimentos ligados ao esoterismo, às ” filosofias”, que nada exigem do homem. Por outro lado, as grandes religiões perdem adeptos. Ela, por oferecerem sentido único e totalizante, se situam no horizonte dos “grandes relatos” negados pelo pensamento pós moderno. Combina mais para o atual momento as religiões descompromissadas, sem ética, que apresentam um deus manipulável que se confunde com “forças e energias cósmicas” – que vibram e giram no vazio da pós modernidade.

Curiosamente, ao lado dos movimentos esotéricos, ocorre a busca aos movimentos mais ortodoxos e fechados das religiões tradicionais. O que, ao contrário de significar o desejo de uma vida religiosa mais integra e integrada à realidade, expressa individualismo e, de certa forma, um “sectarismo”, um apartar-se da unidade.

Bem, aqui estão alguma características dessa complexa pós modernidade. Para uns ela apenas é uma moda a mais. Para outros é a imposição de uma nova cultura sobre o projeto fracassado da modernidade; para outros, ela é o caminho para a concretização de um período inacabado, isto é, a pós modernidade é a própria modernidade em rumo ao seu destino. Seja o que for, a pós modernidade, é a crítica da modernidade.

Trecho da Matéria de ANTONIO CARLOS COELHO

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APRESENTAÇÃO DO FILME – ERNESTO CHE GUEVARA, HOMEM, COMPANHEIRO, AMIGO…

Publicado por culturareligare em Outubro 2, 2007

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OUT/07 – DIA 06
ÀS 17H – ERNESTO, HOMEM, COMPANHEIRO, AMIGO…
ÀS 19H – CUANDO PIENSO EN CHE
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NÃO POSSUÍMOS O FILME, ELE FOI CONSEGUIDO EM UMA LOCADORA DA ALAMEDA BARROS

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